domingo, 23 de agosto de 2009

História Multimídia de Xapuri: O Projeto chega ao fim

'Tudo que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível' – já dizia o poeta. E é com esse pensamento que, com tamanho lamento em nossos corações nos despedimos do projeto História Multimídia de Xapuri.

Nesse tempo em que a pesquisa foi realizada e seu material disponibilizado na rede através do blog, resgatamos a história de Princesinha do Acre.

Recordamos que a beleza dos recursos naturais de Xapuri se mistura a grandiosidade dos fatos históricos ocorridos na região. A Floresta, os rios e igarapés, fazem parte da história dessa terra, revoluções, empates, disputas pela terra, pelo espaço para produzir e sobreviver, terra de conquistas, de sonhos realizados, e muitos por realizar. Terra de bichos, de lendas, histórias de sobrevivência, de fome, de luta, de miséria, riqueza, e muitos “causos” de assombrar.

A trajetória de vida dos xapurienses, da luta pela terra, da emancipação e dos valores culturais enraizados na alma, constitui uma sociedade diferente. Esse espaço conquistado é, por si só, cheio de características peculiares. Um território com memória, diversidade cultural e integridade ambiental, visto que contempla em seu território, uma quase totalidade de área de floresta.
É terra de seringueiros, ribeirinhos, regatões, guerreiros, heróis – é terra de Revolução, de Chico Mendes e de muitas outras histórias para contar.

Mas, como nem tudo são flores, o nosso projeto, que foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Acre em 2008, não foi aprovado esse ano, nos deixando impossibilitados de continuar com a pesquisa.

Para finalizar o projeto iremos disponibilizar o material pesquisado, com fotografias, em DVD-Rom e distribuir às escolas da rede urbana do município e entidades voltadas para o lado histórico-cultural.

Temos interesse em continuar com a pesquisa, portanto, se vocês que está lendo essa postagem se interessar, ou conhecer interessados, favor entrar em contato através de comentário – podemos disponibilizar o projeto atualizado.

E, com um aperto forte no peito, nos despedimos agradecendo a você, leitor, que sempre esteve conosco, lendo, comentando, apresentando críticas, elogios, sugestões. Agradecemos também aos colaboradores – entrevistados, fotógrafos, amigos que emprestaram material bibliográfico, fotográfico, que nos cederam um pouco de seu valioso tempo para deixar viva (e imortalizada) a história da nossa querida Xapuri, a Princesinha do Acre!
Muito, muito obrigado!

Equipe do Projeto História Multimídia de Xapuri:
*Rivangela Nogueira

*Caticilene Rodrigues
*Clenes Alves


Ilustração:
*Arte Guerreira - Banner História Multimídia de Xapuri - Arte-montagem de Clenes Alves

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Equipe do História Multimídia de Xapuri

Resgatar a história de Xapuri, por meio de muita pesquisa, trabalho de campo e muito suor, não se constitui tarefa fácil é sinônimo de prazer, reflexo de qualidade. Pelo menos é isso que acredita o leitor do blog do Projeto História Multimídia de Xapuri.

Desde março de 2009 foram contabilizadas 14.500 visitas ao endereço eletrônico, consequência da variedade de histórias que a formosa Princesinha do Acre tem para contar.

Como essa história não pode nem deve ficar perdida no imaginário das pessoas – que porventura são mortais, correndo o risco de perder na imensidão do tempo que não para – foi idealizado tal projeto que só trouxe alegrias.

Mas, tanto sucesso se deve a uma equipe de 'peso' que esteve unida e trabalhando incessantemente durante todo o processo de pesquisa e disponibilização digital de tão importante história.

A equipe de peso é composta pela proponente do Projeto, Rivangela dos Santos Nogueira, formada em licenciatura plena em História Pela Universidade Federal do Acre, hoje atuando como policial civil do Estado do Acre; os trabalhos de pesquisa, coordenação e disponibilização contou com dois executadores:
Caticilene Rodrigues, formada no Curso de Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal do Acre, atuando como Gestora de Políticas Públicas, coordenadora do Museu do Xapury;
e Clenes Alves, acadêmico dos Cursos de Ciências Econômicas da UFAC e Teatro da UAB/UnB, ator dos Grupos de Teatro Poronga e Arte na Ruína e contador do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri, atuando também como guia de exposição/estagiário do Museu do Xapury.

E é justamente essa equipe de 'peso' que vem agradecer as contantes visitas e os calorosos comentários.
Xapuri merece e certamente agradece!

Fotos:
*1 - Banner com Rivângela, Caticilene, Clenes;
* 2 - Foto de Rivângela em seu momento família - acervo pessoal;
*3 - Foto de Caticilene Rodrigues - Por Gutierri Ferreira;
*4 - Foto de Clenes Alves - Por Fábio Ferreira.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Grupo de Teatro Poronga

Poronga é uma coroa feita de lata – geralmente de óleo de cozinha – com uma lamparina na parte da frente que é utilizada pelo seringueiro, em sua cabeça, para trabalhar cortando seringa nas madrugadas da escura floresta.
Mas Poronga também é o nome dado ao Grupo de Teatro que comemorou no último domingo, dia 09 de agosto, dez anos de existência em Xapuri.
O Grupo de Teatro Poronga de Xapuri, embasado nos ideais de Chico Mendes e crente na capacidade criativa e revolucionária dos jovens xapurienses, vem desenvolvendo nesse período um trabalho dentro das artes cênicas e com visão assistencialista contemporânea, através de realização de oficinas teatrais e espetáculos a crianças, adolescentes e jovens carentes do município de Xapuri.
Desde que surgiu já beneficiou milhares de crianças, jovens e adultos com diversas oficinas que tem o objetivo de capacitar para a área artística – teatral, circense, artes plásticas, etc. - além de evitar que essas pessoas sigam “os maus caminhos”, tendo em vista que além de ocupar o tempo ocioso e trabalhar a parte artístico-intelectual, ainda são implementados assuntos relevantes na vida em sociedade: prevenção às drogas e as DSTs, meio ambiente, violência, ética, cidadania, formação de grupo, convivência em grupo, etc.
Os espetáculos são montados de acordo com a demanda de jovens no grupo e são de autores e temáticas diversas – autores locais, nacionais e internacionais, encontrados no banco de textos do Grupo.
Os espetáculos são encenados em escolas públicas das redes estadual e municipal, bairros periféricos, associação de moradores, eventos e programações diversas, no próprio município, nas cidades vizinhas, e até mesmo em outros países: Bolívia e Peru.
Em 2007, cansados de tanta falta de apoio e diversas barreiras que eram impostas para impedir que sua arte continuasse, o Grupo se juntou com artistas plásticos, músicos, dançarinos, djs, sonoplastas, maquiadores, pirofagistas, entre outros artistas, e formaram o Grupo “Arte na Ruína” - onde há menos de 100m da casa de Chico Mendes, em uma delegacia abandonada e em ruínas, tendo como teto as estrelas, encenaram diversas vezes o espetáculo “O ensaio Surreal do Grito Sufocado”, onde expuseram seus problemas, seu pedido de socorro, através da linguagem mágica da arte.
O movimento de jovens artistas deu tão certo que no ano seguinte gravaram o documentário, curta-metragem, pelo projeto Revelando os Brasis!, intitulado “Arte na Ruína”, levando sua luta cada vez para mais longe – ainda inspirados nos ideais de Chico Mendes.
Ao longo dos anos, o Grupo já participou de Festivais e Mostras (inclusive ganhando em uma mostra brasileense de teatro os prêmios de melhor atriz coadjuvante, melhor direção, melhor figurino), além de apresentar em diversas cidades (dentro e fora do Brasil).
Além do típico coquetel comemorativo da década teatral, os atores fizeram uma tocante homenagem à atriz Dallyanna Lima, falecida em 2003, um dos pilares do movimento teatral de Xapuri, emocionando às pessoas presentes com a leitura do trecho do seu livro (trabalho de escola) 'Páginas da minha vida', em que falava sobre seus amigos, o teatro e sua gravidez.
O Grupo Poronga conta hoje com 10 pessoas – contando com a direção de um dos formadores do Grupo, Amarildo Ferreira – e continua realizando oficinas diversas, esperando apoios para continuar com seu belo trabalho - feitos marcantes da história cultural da Princesinha do Acre.



Fotos:

*1 -Apresentação de pirofagia - Pré-espetáculo "O Ensaio Surreal do Grito Sufocado" - Expoacre 2008 - Acervo Grupo Poronga;

*2 - Formação inicial do Grupo em 1999 - Na Bolívia - Acervo Grupo Poronga;

*3 - Banner do espetáculo "Se ela dança eu danço" - Acervo Grupo Poronga;

*4 - Apresentação do "Se ela dança eu danço" no Museu Casa Branca (Dallyanna Lima é a grávida da foto)- Acervo Grupo Poronga;

*5 - Gravação do Documentário "Arte na Ruína" - Acervo Arte na Ruína.

sábado, 8 de agosto de 2009

Chico Mendes

Nascido no dia 15 de dezembro de 1944, recebeu o nome do seu pai: Francisco Alves Mendes Filho, mas como todo menino chamado Francisco, desde cedo virou Chico. Cresceu no Seringal Porto Rico, em Xapuri, e com dez anos de idade já cortava seringa sozinho para ajudar na produção de seu pai. Logo quis aprender mais coisas e com a ajuda de um amigo que morava perto de sua casa aprendeu a ler e escrever.

Chico começou então a ajudar seu povo. Fazia reuniões, explicava a realidade das coisas e tentava organizar os homens e mulheres da floresta para acabar com a exploração dos patrões. Foi ameaçado e perseguido por isso. Pela primeira vez, Chico soube o que era sentir medo. Mas sua missão era ainda maior. Era preciso resistir contra o desmatamento e a transformação da floresta em pasto.

Foi quando surgiu o primeiro Sindicato de Trabalhadores Rurais do Acre. Logo a ideia se espalhou e outros sindicatos surgiram. A igreja se juntou à luta dos seringueiros e, nas cidades, muitos começaram a perceber que um drama se desenrolava nas matas acreanas. Chico foi preso e torturado, Wilson Pinheiro foi assassinado, Ivair Higino e outros seringueiros também tombaram sob a sanha dos pistoleiros.

Os índios e ribeirinhos se uniram aos seringueiros, dando origem à Aliança dos Povos da Floresta, e liderados por Chico Mendes fizeram ecoar no mundo que a floresta era sua causa e isso ninguém podia lhes tirar.

Mas seus inimigos eram muitos e poderosos.

E assim, ao entardecer do dia 22 de dezembro de 1988, Chico foi baleado e morto na porta dos fundos de sua casa... e os povos da floresta choraram.

Mataram Chico, o homem, mas não conseguiram matar seu espírito e sua luta.

Os inimigos de Chico foram derrotados por sua morte. As idéias que Chico defendeu impregnaram os corações dos homens de bem deste mundo e sua voz se fez ainda mais forte.
Hoje são muitos Chicos lutando e seu espírito guia os povos da floresta e nos lembra sempre que a floresta é nossa casa, nossa vida e nossa mãe e assim será para sempre.

Fontes de referência:
* Museu do Xapury;

Fotos:
*1 - Chico Mendes em um momento de descontração - acervo familiar;
*2 - Chico Mendes em uma de suas viagens - acervo familiar;
*3 - Chico Mendes e sua filha Elenira - acervo familiar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As Reservas Extrativistas

As Reservas Extrativistas e a criação das cooperativas foram as primeiras conquistas dos seringueiros. As conquistas são frutos desta luta, desse movimento organizado pelo Conselho Nacional de Seringueiros e pela consciência do pequeno seringueiro, em busca de melhores condições de vida e pela divulgação ao mundo inteiro, de suas lutas em defesa da Amazônia e dos povos da floresta.

A história das experiências sociais vividas pelos povos da floresta, no progresso dinâmico e dialético, mostra que os conflitos existentes historicamente entre em Xapuri, entre os seringalistas, seringueiros e fazendeiros, não são apenas um problema regional, são frutos de um projeto político muito desenvolvido pelo governo Militar na década de 60, que junto com o capital internacional objetivava transformar a Amazônia em uma grande fazenda efetivada a partir de implantação de empresas agropecuárias, desativando os seringais e divulgando no sul do país e no estrangeiro as riquezas existentes na Amazônia, atraindo desta forma, grandes investidores estrangeiros e brasileiros, proporcionando os conflitos pela posse da terra. De um lado, os seringueiros defendendo os seus meios de sobrevivência, como a terra e a floresta, do outro os fazendeiros desenvolvendo uma política predatória na Amazônia, de atendimento aos seus interesses, apoiados e financiados, muitas vezes, pelo próprio Estado, ocorrendo assim, a destruição da floresta e expulsão do seringueiros de suas localidades.

Intensificava-se na Amazônia o aumento acelerado de desmatamento da floresta, conseqüência da política governamental em nome do "progresso" abrindo as portas da Amazônia para os capitalistas estrangeiros e brasileiros.

Mas, a diminuição dos desmatamentos só foi possível graças às lutas travadas em defesa da floresta e da vida, pelos trabalhadores rurais do Acre lideradas por pessoas sérias e comprometidas com os interesses do seu povo e de sua classe.

Foi a partir dessa consciência, acarretada pelo aumento da miséria, violência e falta de oportunidade, nos seringais e colônias, que os trabalhadores rurais (boa parte já sindicalizados) começaram a reivindicar, através dos empates, Sindicatos, Partidos Políticos, os seus direitos, fortalecendo, desta forma, o combate a esta política que, em nome do "desenvolvimento", matavam e expulsava os colonos e seringueiros de suas terras.

E, foi com o reconhecimento nacional e internacional das formas de resistências dos seringueiros, do seu modo de vida, que intensificou-se ainda mais a fúria daqueles que tentavam silenciar o movimento, culminando com o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, no dia 22 de dezembro de 1988, a mando daqueles que pensavam: matando Chico Mendes, o movimento organizado no Acre acabaria.

Enganaram-se, a realidade social carrega consigo a essência contraditória das manifestações humanas. E a história nos mostra que a ânsia da liberdade, da justiça e da felicidade, é abordada nos diferentes aspectos de resistências dos seringueiros, fazendo valer suas propostas e objetivos, reivindicando, uma sociedade mais justa e igualitária.

Para esses combatentes, as lutas em defesa da floresta, significam também, a defesa da vida, não só do homem, mas, também dos outros animais que, para sobreviver necessitam da floresta viva, evidenciada de forma clara e coerente na proposta política dos seringueiros para a Amazônia.


Fonte Pesquisada:

*Dossiê Trabalhadores de Xapuri - Xapurys 2 - Alunos do Curso de História da UFAC em Xapuri - 1996;

Fotos:

*Foto 1 - RESEX - Seringal Floresta, Colocação Rio Branco - de Talita Oliveira;

*Croqui - Colocações da RESEX - de Miro Ribeiro Pereira e Mª Lourdes Ribeiro Pereira;

* Foto 2 - 'Louça suja com vista limpa da RESEX' - Colocação Boa Sorte - de Talita Oliveira.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os Regatões

Uma das figuras famosas ao se falar na vida dos seringais da Amazônia eram os regatões. Provenientes do oriente próximo chegaram a fluxo intenso ao Brasil, entre 1870 e 1913. Hábeis vendedores, eles se dedicaram ao comércio ambulante em várias regiões do País, especialmente na Amazônia, ficando conhecidos como regatões, ou seja, ambulantes que vendiam de tudo nos “barrancos dos rios”, através de embarcações entulhadas de mercadorias.

O motivo de atração destes homens para a Amazônia foi, sem sombra de dúvidas, a riqueza propiciada pela atividade gumífera nesses distantes locais.

Os regatões perambulavam pelos rios e varadouros cumprindo aquela máxima de que quem não estivesse pelado era freguês. Ameaçavam, assim, o poderio dos seringalistas. Por isso, os regatões eram mal vistos pela elite da sociedade extrativista, e sofriam com a marginalização e os preconceitos daí decorrentes.

Externo ao seringal, mas nunca distante dele, o regatão era um verdadeiro transgressor às ordens oriundas do patrão-seringalista. Um verdadeiro mascate das águas que dependia da compra de seus produtos pelos seringueiros, por mais que estes não servissem para absolutamente nada. O convencimento era feito da seguinte forma: iniciavam suas transações com um gole de cachaça e, com ela, prosseguiam até confundir a mente do infeliz caboclo, sempre se deixando negociar.

Muitos seringueiros viam, na figura do regatão, uma ilusão de falta de dependência, porque acostumados a prejuízos, o regatão representava a tábua de salvação em sua situação de servo da gleba selvagem e do sistema que o envolvia, pois ao menos conseguia, com isso, satisfazer algumas necessidades e vaidades que lhe davam a ilusão de homem livre para realizar negócios com quem melhor lhe conviesse.

A repulsa ao patrão seringalista fazia com que muitos seringueiros desviassem as suas mercadorias para as mãos dos regatões, que tiravam lucro desta situação. As transações eram feitas em forma de escambo, na qual a borracha era trocada por produtos.

Alguns destes “mascates das águas” tornaram-se comerciantes famosos e montaram casas comerciais nas vilas que se tornaram, posteriormente, cidades. Passaram a abastecer também os seringais com os mais variados produtos. Dito de outra forma, “aviaram” os seringais, fornecendo a estas unidades, mercadorias a crédito.

Em Xapuri, a vinda de sírios e libaneses se dava a partir de informações de que um ou outro parente residia na cidade. Desta feita, a procura pelo parente e, também pelo enriquecimento fácil, era meta daqueles que vinham de outros recantos. Alguns voltaram para a terra de origem, e outros, por sua vez, acabaram sendo abraçados pela formosa Princesinha do Acre.
Fotos:
*1 - Regatão, o mascate da Amazônia - final da década de 1960 - de Carlos Henrique Brek;
*2 - Ilustração 'Mascate da Amazônia' - autor desconhecido.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Antônio Zaine: O Sonhador de Xapuri

Antônio Assad Zaine, nascido em Corumbataí, interior de São Paulo, comerciante, chegou ao Acre em 09 de Julho de 1954 para trabalhar com Jorge Kalume, político do Acre. Casado com Dona Déia Maria Gomes Zaine, pai de César Gomes Zaine, político de Xapuri e Terezinha de Jesus Gomes Zaine, diretora de escola pública.

Ele chegou em um DC-3, aeronave da então companhia aérea Cruzeiro do Sul. Até hoje toma de conta da firma e do prédio onde funcionou a gigante empresa dos Kalumes, que comprava borracha para a praça de Belém.

Com mais de 80 anos, seu Zaine ainda hoje tem um sonho: o de transformar o que resta da antiga firma em Xapuri em um museu com as características das empresas de antigamente, expondo alguns produtos e um pouco da história antiga do Acre.

Há homens que nunca deixam de ser criança e estes, são assim, porque nunca abandonam seus sonhos, suas crenças, suas alegrias, seus amigos, sua família e suas aspirações mais nobres. Esses homens são necessários para a revolução da própria sociedade em que vivem e em que labutam – assim é o sonhador Antônio Zaine, pois ele chegou por aqui como um lutador e continua lutando até hoje, mas hoje sua luta, sua lida é para não perder o ontem e garantir que o passado não se perca na ambição do futuro.

“O meu grande sonho é dar continuidade ao passado, principalmente o passado histórico e glorioso de Xapuri” (Antônio Zaine).


Fonte Pesquisada:
*Brava Gente Acreana – Vol I.




Foto:
*De Sérgio Cardoso.

domingo, 19 de julho de 2009

Dona Júlia Gonçalves Passarinho: Banda de Música de Xapuri

A Banda de Música do município de Xapuri – Berço da Revolução Acreana – homenageia a maranhense Senhora “Júlia Gonçalves Passarinho” genitora do famoso político Jarbas Gonçalves Passarinho, do Estado do Pará.
De conformidade com o Decreto Municipal baixado pelo prefeito Edson Dias Dantas, de número 140, de 20 de março de 1973, vê-se que as considerações feitas são alusivas ao prestativo cumprimento de exigências, que é prática quando se quer homenagear um cidadão Xapuriense publicamente. A segunda consideração, nota-se que realmente foi Jarbas Gonçalves Passarinho, quando ministro do Estado da Educação e Cultura, no governo Emílio Médici – 1969/74, que fez doar vários instrumentos musicais.
A esse adendo do legislativo municipal acresce-se o Projeto de Lei n-05/73 (que dispõe sobre a criação da Banda e dá outras providências) datado de 17 de março e Lei municipal n-75, de 4 dias após (que cria a Banda de Música do Município de Xapuri e dá outras providências).

Esses foram os primeiros componentes da Banda recém-criada na forma de Lei:
Maestro-Regente: Ruy Francisco de Melo - in memorian
Músicos: José Peres de Souza
Oneide Tomé de Oliveira - in memorian
João Marcelino da Silva
Orlandino Ferreira Lima
José Gomes Pereira
José Ferreira Nunes
Antônio Cosmo da Rocha
Belarmino Coelho da Cunha
Francisco Coelho da Cruz – in memorian
Pedro Ferreira Nunes
Bartolomeu Bispo dos Santos
Ernesto Bispo dos Santos
Raimundo Nonato de Araújo
José Almerindo de Souza - in memorian
Segundo José Peres de Souza, os primeiros ensaios da “Banda Dona Júlia” deu-se nas dependências da Casa Branca, um antigo prédio construído em alvenaria e madeira inaugurado para servir de hotel e restaurante em 20 de julho de 1909, de propriedade dos Senhores Pereira & Silva. Depois, os ensaios davam-se no Quartel da Polícia Militar e Lar dos Vicentinos e hoje na Casa Branca, novamente.

O atual quadro da Banda é composto por 18 músicos:
Maestro-Regente: José Peres de Souza – e toca clarineta
Contra Mestre:Aldecir Moreira de Oliveira – e toca clarineta
Músicos: Antônio Cosmo da Rocha – caixa
Mauro Martins – contra-baixo
Rener Azevedo – contra-baixo
Alderiza Sandas de Moraes – surdo
Judite Melo – prato
Cláudio Roque – trompete
José Ribamar – saxes tenor
Eliésio – saxes tenor
Édson Isidoro – bombardino
Belarmino Coelho da Cunha – bumbo
Raimundo Nonato de Araújo – bumbo
Marcus Vinícius Daniel de Souza – caixa
Orlandino Ferreira Lima – trombone
José Gomes Pereira – trompete
José Dias de Souza – sax alto
José Ferreira Nunes – bumbo

A banda ensaia três dias por semana – de segunda a quarta-feira – no período da manhã, estando o restante da semana à disposição para a realização de tocatas, retretas, eventos, conforme combinado desde a fundação da Banda, em 1973.
Inicialmente a Banda Dona Júlia realizava aproximadamente 77 tocatas ao ano e hoje realiza apenas de 20 a 30. Os músicos eram voluntários, passando a serem funcionários municipais a partir de 1975.

Fontes de referência:
*Dossiê: Trabalhadores de Xapuri - Xapurys 2 - Alunos do Curso de História da UFAC em Xapuri - 1996;
*Entrevista oral com Antônio Cosmo da Rocha (Magão) em 26/06/2009.


Fotos:
*1 - Banda D. Júlia - em Dezembro de 1983 - Foto gentilmente cedida por Antônio Cosmo da Rocha (Magão). Da esquerda para a direita: Maestro tenete Rui Francisco de Melo; Irauzino Bispo dos Santos; José Sobrinho de Souza; Elvídio de Oliveira; João Marcelino de Souza; Orlandino Ferreira Lima; José Almerindo de Souza; Ernestino Bispo dos Santos; Marcos Vinícius Daniel de Souza; Pedro Ferreira Lunus; José Gomes Pereira; Oneide Tomé de Oliveira; Bartholomeu Bispo dos Santos; José Dias de Souza; José Peres de Souza; Antônio Cosmo da Rocha (Magão); Belarmino Coelho da cunha; Raimundo Nonato de Araújo; Evanilde Tomé de Oliveira;
*2 - Banda D. Júlia - Fomação atual - foto de Caticilene Rodrigues.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A perda de um herói

A floresta teve uma perda
Morreu uma parte de si
A vida não é mais a mesma
Muito tempo depois
Que Chico se foi
Chico Mendes não foi morto
O mataram
O sangue que sai de seu peito
Derrama

Foi morto a sangue frio
E não resistiu
Sua vida foi tão rápida
Que pra xapuri o mundo olhou
Tivemos uma perda
Que ninguém explicou o que aconteceu
Chico Mendes morreu

Da floresta fez a sua casa
E protegeu com sua própria vida
Pensando na mãe mata
Com sua própria vida e
Ele a protegeu, mas mataram.
Mas mataram Chico
Chico Mendes morreu

Mas a sua luta continua
Dentro de cada um de nos
Vamos proteger a Amazônia
Por que é de todos nos.

Música/Letra:
*Álder Járede - que há um ano, aos 15 anos de idade, fez essa música em homenagem ao grande Chico Mendes.

Foto:
*Acervo família Mendes.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Empate

A cidade de Xapuri, foi respeitada por ter surgido em uma região considerada grande produtora de castanha e borracha. Está assentada em terras cobertas por uma imensa floresta onde existiam vários seringais nativos de grande produção.

Da época de 30 à meados dos anos 60, Xapuri era grande exportadora de borracha, castanha e pele de animais silvestres. Essa produção era realizada por seringueiros, homens que vivem embrenhados nas matas. Eles passavam praticamente todo o ano produzindo as pelas e coletando castanhas na época da safra para vender aos patrões. Assim, os seringueiros conseguiam sobreviver em suas Colocações. Alguns tiravam saldo "gordo" que vinham gastar na cidade, comprando roupas e outros acessórios para toda a família, e utensílios de casa, como também participavam dos forrós dançando noite a dentro.

Época esta em que Xapuri recebeu o nome de "Princesinha do Acre", levando este nome em virtude do progresso que reinava nesta terra durante o ciclo da borracha e da castanha.
Chega outra realidade para esse povo que, embora trabalhando ardentemente, era feliz. É que na década de 70, houve uma propaganda ferrenha no sul do País, onde se dizia que: "O Acre é o nordeste sem seca e o sul sem geada".

Com isso, grandes fazendeiros e outros sulistas resolveram investir em nossa região, simplesmente com o único objetivo de transformar nossa floresta em campos de pastagens, para a criação de gado-de-corte.

Os seringalistas iniciam a venda de suas áreas aos fazendeiros sulistas, onde, em pouco tempo, perderam o nome de seringais e passaram a ser chamados de “fazendas”.

Iniciam-se as transformações das matas em campos. São adquiridas autorizações dos órgãos competentes para as derrubadas. Nesse processo, as castanheiras, seringueiras e outras valiosíssimas árvores, como também algumas espécies de animais e vegetais, são destruídas pelas derrubadas e queimadas.

Constitui-se, desta forma, as expulsões dos seringueiros e posseiros que habitavam as regiões afetadas pelas derrubadas violentas, quando fazendeiros agiam de forma a matar alguém das famílias, queimando as casas e, algumas vezes, pagando insignificantes indenizações. Atos de violência, ameaças e atentados.

Daí a necessidade de mostrar as formas de resistência desses trabalhadores da floresta contra a destruição do seu meio de sobrevivência.

O empate foi fruto de uma necessidade, e, foi a partir dessa necessidade que levou os seringueiros a se juntar em grupo e partir para fazer aquilo que se chama de empate e essa necessidade foi devido a destruição que a floresta vinha tendo. Empate significa manter a floresta em pé.

O empate é um movimento organizado pelos próprios seringueiros, para impedir a destruição, tanto da fauna como da flora, que são meios de sobrevivência desses homens. O empate é uma forma de impedir que sejam expulsos de suas terras.

Quando se fala em movimentos organizados por seringueiros, refere-se a homens, mulheres e crianças. As mulheres, ora participavam à frente dos empates, ora participavam preparando a alimentação para os seus companheiros. O papel da mulher e das crianças no empate é muito importante. É um meio de estratégia que o seringueiro, através do movimento, resolveu fazer para evitar violência; então ia mulher com crianças no colo, velhas, mulheres novas, crianças que andavam já participava do empate para evitar violência.

Com base em sua experiência de empate, na resistência aos desmatamentos, os seringueiros propõem uma alternativa para a Amazônia e para si mesmos, para a sua sobrevivência: as reservas extrativistas. Trata-se de preservar a floresta, os rios, os animais, respeitar a natureza como espaço e parte da própria vida. Mas trata-se também, de desenvolver uma economia adaptada, não destrutiva, capaz de garantir a riqueza material dos povos da floresta.


Fonte Pesquisada:
* Dossiê: Trabalhadores de Xapuri – Xapurys 2 – Alunos do Curso de História da UFAC em Xapuri – 1996.


Fotos:

*1 - Entrada do Seringal Cachoeira - de Dhárcules Pinheiro;

*2 - Pôr do Sol - de Caticilene Rodrigues;

*3 - Gado de corte - de Caticilene Rodrigues.

sábado, 4 de julho de 2009

A caça nos seringais

A caça é uma das atividades humanas mais antigas que se tem conhecimento, sendo a principal forma de alimentação para as populações tradicionais que moram no interior da floresta de Xapuri.

É comum os seringueiros andarem armados durante seus afazeres, pois vez ou outra topam com alguma caça e já poupam o esforço da caçada futura, levando a carne para almoço ou janta. Aliás, é comum nas refeições de café da manhã, ser consumido a carne de caça, porque os seringueiros acordam muito cedo e passam muito tempo cortando seringa em suas estradas, que em média, tem cento e cinquenta madeiras.

Para a caça são desenvolvidas algumas estratégias, em Xapuri as mais utilizadas são: as esperas, caça com cachorro e caça de rastejo. É pouco comum a utilização de armadilhas para captura de animais, porém a mais comum é a preparação da sevada, que é uma espécie de mistura de alimentos, colocado dentro do rio ou igarapé para pegar mais peixes.

A espera sempre é montada perto das “comidas” dos animais, é armada de duas formas, a primeira através da rede, que é colocada no alto das árvores, e a outra é feita através do corte de três pequenas árvores, duas com folhinhas nas pontas e uma terceira reta. A duas com forquilhas são encostadas nas árvores mais próximas das comidas e a terceira é posta sobre as duas forquilhas, armando uma espécie de “poleiro”.

A caça com cachorro é uma forma bastante utilizada, os cães perseguem a caça e “acoam” o animas, deixando-os parados, devido ao medo, facilitando assim a perseguição. O regulamento atual da RESEX – Reserva Extrativista Chico Mendes – proíbe a caça com cão, pois são nocivos aos animais da floresta por afugentarem a caça. Quando realizada é desenvolvida durante o dia e geralmente no período de chuvas, onde as folhas estão molhadas não permitindo ao caçador perceber o barulho das pisadas dos animais nas folhas secas.

A caça de rastejo é uma das mais tradicionais, a estratégia é desenvolvida através de perseguição dos rastros, seja pelo cheiro, pegadas, barulhos ou galhos retorcidos.

Muitos caçadores utilizam outras formas de preparação, como chás, que intensificam os sentidos e afastam a “panema”, banho com ervas, que impedem o cheiro comum do corpo humano, além de algumas superstições.

Outro fator importante é o conhecimento dos horários e as estações do ano que são aptas para a caçada, além do conhecimento das fases “boas” da lua – coisas importantes para garantir a boa alimentação do morador das florestas xapurienses.


Fotos:

*1 - Caça tipo "espera" - de Dhárcules Pinheiro;

*2 - Caça com cachorro - Ilustração - Autor desconhecido.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Roçados

Depois da queda da borracha os seringueiros que continuaram na floresta passaram a abrir áreas para cultivo de culturas de subsistência. Os roçados e as roças são geralmente de tamanho pequeno de uma a cinco tarefas, às vezes podem chegar a dois ou mais hectares. São feitos geralmente perto das casas, mas alguns podem ficar distantes até duas horas de caminhada na mata.

As populações tradicionais de Xapuri, assim como colonos e ribeirinhos tem um calendário de atividades que segue os ciclos das águas.

No início do verão, brocam as matas, depois derrubam ou limpam as capoeiras existentes. No auge do verão, em agosto e setembro, queimam e preparam o solo para o plantio que se dá no início das chuvas. Durante o resto do ano se dividem nas atividades extrativistas, a coleta de castanha no inverno, e a coleta de látex no verão, assim como às outras atividades, como o trato do roçado e também da criação, como relatam os seringueiros da Princesinha, que brocam uma determinada área de sua colocação para colocar o roçado e só depois de seis anos essa área é brocada de novo.

Nos roçados tem de tudo um pouco, plantam feijão, arroz, macaxeira, banana, milho, cana, e hortaliças. Antigamente descascavam o arroz usando o pilão, mas hoje em dia usam a peladeira. Da macaxeira fazem farinha, alguns produzem só para consumo, mas outros costumam vender. Alguns fazem rapadura da cana. Alguns vendem o excedente da produção, outros só plantam para a alimentação.

Os roçados representam uma nova fonte de sobrevivência para os seringueiros que tiveram surrupiado seu sonho de melhores dias advindos do Ouro Negro da famosa Princesinha do Acre.


Fotos:

*1 - Feijão - Sítio 'iapar.br';

*2 - Milho - Cildo Aquino;

*3 - Roçado de Milho - Cildo Aquino;

*4 - Roçado de arroz - Sítio 'iapar.br'.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Festa no Seringal Cachoeira



Mês de Junho é significado de festas típicas em diversos lugares brasileiros e, evidentemente, na cidade de Xapuri não poderia ser diferente. Com muita música, danças e bebidas típicas o povo guerreiro da Princesinha se diverte e encanta com sua peculiar cultura junina, regada ao toque da sanfona, triangulo, zabumba e o conhecido violão.

No festivo mês tudo é motivo para comemoração, e foi o que aconteceu no reencontro da família Monteiro de Oliveira no Seringal Cachoeira em Xapuri, no Acre, que há mais de 50 anos estava vivendo no Ceará, longe de parte de seus familiares que hoje residem na Princesinha do Acre - cujo paradeiro fora localizado graças à moderna internet.

Para comemorar, uma festa no Seringal Cachoeira, onde tocaram nomes famosos como Monteirinho, Miguel Mendes (primo de Chico Mendes), Dito e Carrilho, enquanto os pares - homem com mulher a até mulher com mulher, típico dos seringais - bailavam animadamente para registrar sua alegria, como em um rito surreal do povo seringueiro.


Música tocada: Xote Ecológico, de Luiz Gonzaga
Vídeo registrado por Gutierri Ferreira da Silva para o Projeto História Multimídia de Xapuri

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dona Vicência

Dona Vicência Bezerra da Costa nasceu em Alto Santo, no interior do Ceará em 20 de fevereiro de 1929 e veio para o Acre em 1943. Viúva de Raimundo Girão da Costa, um cearense, cabra arretado de bom que chegou a tirar bons saldos na labuta das estradas de seringa. Mãe de Francisco, Getúlio, Maria de Lurdes e Maria das Graças. Quanto aos netos e bisnetos ela somente sabe que já passaram dos 40.

Dona Vicência, a experiente seringueira que montou o restaurante 'Tia Vicência' de comida caseira com sabor de seringal, em Xapuri, viveu quase 20 anos sem sair do seringal pois o marido, quando era preciso era quem ia fazer compras na cidade.

A mulher franzina e um pouco adoentada devido a idade avançada esconde a guerreira da borracha que passou anos e anos de sua vida pelas estradas de seringa, trabalhando com afinco tão grande e de dar inveja a muitos marmanjos.

Era seringueira na alma e no coração. Chegou mesmo a compor um hino aos soldados da borracha e a dar exemplo de que o seu trabalho era um esforço de guerra.

A guerreira Dona vicência, que aos 80 anos gostaria de ter saúde para voltar a mata e comer quati, anta, preguiça, porco-do-mato, veado, macaco prego e capelão, tudo sem couro e bem escaldado com um pouco de banha e com uma pimentinha para temperar.
A seringueira guerreira sabe também que a mata, apesar de seus segredos, é uma dádiva de Deus.

Fonte de pesquisa:
*Livro Brava Gente Acreana - Vol. I


Foto:
*Dona Vicência em frente a seu restaurante - de Caticilene Rodrigues

Vamos dar valor ao seringueiro,

Vamos dar valor a esta nação,

Porque com trabalho deste povo

É que se faz pneu de carro e pneu de avião.

Fizeram a chinelinha, fizeram o chinelão

Inventaram uma botina que a cobra não morde

Não

Tantas coisas da borracha eu não sei explicar não

Encontrei pedaço dela em panela de pressão.

Não é com chifre de vaca que se apaga a letra não

São produtos fabricados feitos pelas nossas mãos.


Autor: popular


Foto:

*Sr. Romildo Sales Campos Barbosa – de Thiago Nichele


quinta-feira, 4 de junho de 2009

O famoso leite da castanha

O tempero mais apreciado pelos seringueiros é o famoso leite da castanha, extraído da castanha, ainda cultivada nos seringais. É considerado como substituto do óleo nos temperos das carnes de caça, dando um sabor diferenciado a elas, que posteriormente, com a saída de algumas famílias seringueiras para a cidade, foi absorvida pela maioria dos xapurienses.

A extração do leite da castanha inicia-se com a coleta, depois vem a quebra do ouriço para retirar a castanha, descascar, lavar, ralar, acrescentar água e peneirar, no intuito de que fique um leite grosso.

O jabuti tornou-se um prato tradicional na culinária acreana, bastante degustado no passado, quando encontrava-se esse animal em maior quantidade dentro da mata. O famoso jabuti ao leite da castanha já deve ter sido degustado por todos. Quem não degustou, certamente, já deve ter ouvido falar da iguaria por alguns parentes, avós, tios ou amigos próximos.

Uma particularidade de alguns moradores é o gosto pelas carnes com osso ao leite da castanha.
Várias carnes são apreciadas com esse tempero, engana-se os que pensam que sejam somente as vermelhas. Os peixes, carne de tatu e outros também fazem parte dessa variada degustação das carnes dos animais oferecidos pela floresta.

O pão de milho, conhecido popularmente como cuscuz, ao leite da castanha, sendo os dois preparados na hora. Eram degustados pela manhã, no café, dos muitos filhos do seringueiro.

Também do leite da castanha pode se fazer o pirão, que normalmente é feito dos caldos das comidas cozidas.
Mas não para por aí, alguns xapurienses fazem também o mucunzá, a paçoca que é colocada na ossada de caça de veado, porco, jabuti e guariba – tornando o leite da castanha ingrediente de essencial importância na alimentação seringueira.

Fotos:
*1 - Catanhas - de Dhárcules Pinheiro;
*2 - O Preparo do leite da castanha; e guariba ao leite da castanha - de Dhárcules Pinheiro.

sábado, 30 de maio de 2009

Fonte do Bosque

Em junho de 1915 foi entregue a servidão pública o manancial do Bosque que fornecia água para à população da cidade do Xapury, com melhoramentos adaptados pela Intendência Municipal.

A antiga fonte, que fornecia água foi transformada em um tanque de alvenaria com 3m de comprimento por 2m de largura, acumulando em 12 horas 7.200L de água que era retirada por meio de uma torneira.

A Fonte do Bosque é também considerada um dos locais mais importantes para os xapurienses. Dela era extraída água que matava a sede dos transeuntes e também dos moradores da cidade. Servia também para lavar roupa das famílias do lugar.

Existiam duas pessoas que sobreviviam da água que eles vendiam da fonte – Chico Ferraz e Manoel “Bundinha” - que transportavam em um jumentinho, em galões.

Esses vendedores viviam do comércio de água e abasteciam os lares das famílias que tinham condições financeiras para arcar com o consumo do líquido cristalino.

Era chique beber e lavar com água da Fonte do Bosque.

Foto:

* Fonte do Bosque - imagem atual - de Dhárcules Pinheiro.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Museu do Xapury na 7ª Semana Nacional de Museus

Conhecer a história de Xapuri por meio da arte nos permite vivenciar prazerosamente o passado e ajuda a refletir sobre o futuro.
Essa é a proposta do Museu do Xapury ao aderir à programação da Sétima Semana Nacional de Museus, que contou com a participação ativa de artistas – atores, músicos, contadores de história – além de gente que faz a incrível arte da vida em Xapuri.
Com o tema Museus e Turismo a Sétima Semana Nacional dos Museus, que, em verdade se estende por todo mês de maio, é um evento comemorativo aos museus que envolve seminários, exposições, oficinas, espetáculos, visita a museus, dentre outras expressões artísticas por todo o país.
Em Xapuri os eventos aconteceram no próprio prédio do Museu do Xapuri – com duas apresentações de contação de histórias na E.E.E.I. Latife Zaine Kalume – e contaram com apresentações de espetáculos teatrais do Grupo de Teatro Poronga de Xapuri, contação de histórias dos jovens contadores Clenes & Cley (e amigos), exibição do documentário do Revelando os Brasis! “Arte na Ruína” (com apresentações de manhã e à tarde de 18 a 22 de maio), além de uma exposição de fotografias intitulada ‘Referências Culturais de Xapuri’ – que fica de 1º a 31 de maio.
Ao longo de todo a programação o Museu do Xapury recebeu diversos estudantes da rede pública de Xapuri, além de muitos turistas de várias partes do país e do mundo.
Somente a semana de apresentações culturais contou com o número recorde de 3.700 visitantes, executada por 10 artistas, 02 guias e 01 coordenadora do evento apoiado pela FEM e pelo IPHAN.
A exposição de fotografias ‘Referências Culturais de Xapuri’ fica no Museu do Xapury até o dia 31 – nos horários: de terça a sexta-feira das 08:00h às 18:00h, sábado das 08:30h às 17:30h e domingo das 09:00h às 13:00h.
O Museu do Xapury espera sua visita.
Fotos:
*1 - Atores Jociclei Almeida e Alder Járede - Show de Humor 'Faz-me rir - Esquete Severina Chic, Chic' - Grupo de Teatro Poronga - de Clenes Alves;
*2 - Coordenadora do Museu do Xapury - Abertura da Semana Nacional de Museus - de Clenes Alves;
*3 - Clenes Alves na Contação de Histórias 'Histórias do Vovô' - de Caticilene Rodrigues;
*4 - Exibição Documentário Revelando os Brasis! Arte na Ruína - de Caticilene Rodrigues;
* 5 - Atores Michelle Teles e Dyogo Henrich - Espetáculo Dona Baratinha - Grupo de Teatro Poronga - de Clenes Alves;
*6 - Final de apresentação - visita alunos da E.E.E.F. Plácido de Castro - de Caticilene Rodrigues.
Obs.: A todos que participaram direta ou indiretamente da Sétima Semana Nacional de Museus no Museu do Xapury o nosso 'muito obrigado'!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Fazedores de história

Gente especial de Xapuri, guerreiros da Princesinha do Acre, pessoas que não cruzam os braços, história viva que faz mais história...

É assim que os filhos da querida cidade de Xapuri marcam sua presença nesse pequeno pedaço de terra delimitado por Deus.

Os xapurienses são fazedores de história que não deixam morrer suas raízes e sua essência, pois é aí que prevalecem as verdadeiras referências culturais de Xapuri.

Um exemplo evidente dessa garra em fazer história são os artistas que realizam a programação da 7ª Semana Nacional de Museus no Museu do Xapury.

A programação – apoiada pela FEM e pelo IPHAN – conta com as apresentações de espetáculos teatrais do Grupo Poronga de Xapuri – que já faz arte há quase 10 anos -, exibição do documentário do Arte na Ruína do Revelando os Brasis, os contos regionais dos jovens contadores de histórias Clenes & Cley (e amigos), além dos apreciáveis sons dos músicos/sonoplastas que se dispõem a abrilhantar ainda mais o evento.

Tais representações artísticas têm o objetivo de atrair a atenção dos xapurienses para a necessidade de maior valorização de sua história – e nada mais ideal do que fazer isso através dos criativos e brilhantes artistas locais que tanto batalham no luta incansável da arte da vida xapuriense/brasileira.

A programação que iniciou dia 18/05 (e se encerrará dia 22/05) – sempre às 09:30h e às 15:30h – já conta com cerca de 1000 espectadores.

Também faz parte da Semana de Museus a exposição Referências Culturais de Xapuri, com diversas fotos que contam visualmente a história da diversidade de cultura do município.

Esse modo especial de fazer arte dentro do Museu do Xapury é uma característica marcante da instituição desde 2006 e certamente entrará para o livro da história especial da cidade, escrito pelos artistas fazedores não apenas de arte mas da vida vibrante da ímpar Xapuri.

Ainda dá tempo de prestigiar!

Fotos:
*1 - Espetáculo 'Dona Baratinha' - Grupo de Teatro Poronga de Xapuri - de Clenes Alves;
*2 - Mesmo espetáculo - de Caticilene Rodrigues.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Museu do Xapury: Semana Nacional de Museus

O Museu do Xapury convida todos a participarem da 7ª Semana Nacional de Museus, a realizar-se de 17 a 23 de maio de 2009, sobre o tema Museus e Turismo. Essa programação nacional dá aos museus brasileiros mais oportunidades de tornarem reconhecido seu potencial, sua atratividade, pluralidade cultural e diversidade.

A Semana Nacional de Museus é uma clara demonstração da potência, da atualização e do desenvolvimento do campo museal brasileiro, bem como da importância de se investir na relação Museus e Turismo. A programação tem o propósito de integrar os museus brasileiros e intensificar sua relação com a sociedade.

O evento conta com a seguinte programação:

De 01 a 31/05

Exposição de fotografias do Inventário de Referências Culturais de Xapuri

Dia 18/05 (Segunda-feira)

Espetáculo Teatral “Belinha e o Bêbado”

Grupo de Teatro Poronga de Xapuri

Horário: às 09:30h e às 15:30h

Dia 19/05 (Terça-feira)

Mostra de documentário Revelando os Brasis: Arte na Ruína

Horário: às 09:30h e às 15:30h

Dia 20/05 (Quarta-feira)

Contação de Histórias “Conta um conto”

Com a dupla de contadores 'Clenes & Cley'

Horário: às 09:30h e às 15:30h

Dia 21/05 (Quinta-feira)

Espetáculo Teatral “Faz-me rir”

Grupo de Teatro Poronga de Xapuri

Horário: àsc 09:30h e às 15:30h

Dia 22/05 (Sexta-feira)

Contação de Histórias “Histórias do vovô”

Contadores do Grupo de Teatro Poronga de Xapuri

Horário: às 09:30h e às 15:30h

domingo, 10 de maio de 2009

Rua do comércio

Xapuri, em tempos saudosos, era uma cidade que tinha ricos comerciantes que vendiam suas mercadorias para a população urbana. Abasteciam também os seringais com suas mercadorias e traziam daquelas unidades grandes quantidades de borracha e outros produtos provenientes da floresta. As grandes casas comerciais de Xapuri como a Casa Galo, A Limitada, a Zaire e a Kalume costumavam fazer com frequência este tipo de transação comercial. Estas eram ligadas à comerciantes de prestígio, que faziam parte da elite local.

Os produtos oriundos dos seringais xapurienses eram comercializados nas casas comerciais. Eram nesses lugares que se aviavam as mercadorias.

Havia couros e peles. As peles de animais silvestres vindo ali pela beira do barranco. Ninguém roubava.

Era na Rua do comércio que era encontrado “de tudo”. O comércio de Xapuri era abundante, farto, e contava tanto com produtos nacionais como estrangeiros. Era possível achar em suas lojas comerciais os melhores tecidos tais como linho, casimira, seda de toda a qualidade, rendas de todos os tipos, jogos de porcelanas para se escolher, vinhos importados de todos os tipos, jogos de porcelana para se escolher, azeitonas em barris, presuntos bem embalados, tudo uma verdadeira delícia ao paladar e aos olhos.

Rua do Comércio, hoje chamada 17 de Novembro, é parte marcante da história da Princesinha do Acre em tempos de efervescência da borracha.


Ilustração:

*Rua do comércio - de Charel