Dona Vicência

Dona Vicência Bezerra da Costa nasceu em Alto Santo, no interior do Ceará em 20 de fevereiro de 1929 e veio para o Acre em 1943. Viúva de Raimundo Girão da Costa, um cearense, cabra arretado de bom que chegou a tirar bons saldos na labuta das estradas de seringa. Mãe de Francisco, Getúlio, Maria de Lurdes e Maria das Graças. Quanto aos netos e bisnetos ela somente sabe que já passaram dos 40.

Dona Vicência, a experiente seringueira que montou o restaurante 'Tia Vicência' de comida caseira com sabor de seringal, em Xapuri, viveu quase 20 anos sem sair do seringal pois o marido, quando era preciso era quem ia fazer compras na cidade.

A mulher franzina e um pouco adoentada devido a idade avançada esconde a guerreira da borracha que passou anos e anos de sua vida pelas estradas de seringa, trabalhando com afinco tão grande e de dar inveja a muitos marmanjos.

Era seringueira na alma e no coração. Chegou mesmo a compor um hino aos soldados da borracha e a dar exemplo de que o seu trabalho era um esforço de guerra.

A guerreira Dona vicência, que aos 80 anos gostaria de ter saúde para voltar a mata e comer quati, anta, preguiça, porco-do-mato, veado, macaco prego e capelão, tudo sem couro e bem escaldado com um pouco de banha e com uma pimentinha para temperar.
A seringueira guerreira sabe também que a mata, apesar de seus segredos, é uma dádiva de Deus.

Fonte de pesquisa:
*Livro Brava Gente Acreana - Vol. I


Foto:
*Dona Vicência em frente a seu restaurante - de Caticilene Rodrigues