Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2009

Os Regatões

Imagem
Uma das figuras famosas ao se falar na vida dos seringais da Amazônia eram os regatões. Provenientes do oriente próximo chegaram a fluxo intenso ao Brasil, entre 1870 e 1913. Hábeis vendedores, eles se dedicaram ao comércio ambulante em várias regiões do País, especialmente na Amazônia, ficando conhecidos como regatões, ou seja, ambulantes que vendiam de tudo nos “barrancos dos rios”, através de embarcações entulhadas de mercadorias.

O motivo de atração destes homens para a Amazônia foi, sem sombra de dúvidas, a riqueza propiciada pela atividade gumífera nesses distantes locais.
Os regatões perambulavam pelos rios e varadouros cumprindo aquela máxima de que quem não estivesse pelado era freguês. Ameaçavam, assim, o poderio dos seringalistas. Por isso, os regatões eram mal vistos pela elite da sociedade extrativista, e sofriam com a marginalização e os preconceitos daí decorrentes.
Externo ao seringal, mas nunca distante dele, o regatão era um verdadeiro transgressor às ordens oriundas d…

Antônio Zaine: O Sonhador de Xapuri

Imagem
Antônio Assad Zaine, nascido em Corumbataí, interior de São Paulo, comerciante, chegou ao Acre em 09 de Julho de 1954 para trabalhar com Jorge Kalume, político do Acre. Casado com Dona Déia Maria Gomes Zaine, pai de César Gomes Zaine, político de Xapuri e Terezinha de Jesus Gomes Zaine, diretora de escola pública.

Ele chegou em um DC-3, aeronave da então companhia aérea Cruzeiro do Sul. Até hoje toma de conta da firma e do prédio onde funcionou a gigante empresa dos Kalumes, que comprava borracha para a praça de Belém.

Com mais de 80 anos, seu Zaine ainda hoje tem um sonho: o de transformar o que resta da antiga firma em Xapuri em um museu com as características das empresas de antigamente, expondo alguns produtos e um pouco da história antiga do Acre.

Há homens que nunca deixam de ser criança e estes, são assim, porque nunca abandonam seus sonhos, suas crenças, suas alegrias, seus amigos, sua família e suas aspirações mais nobres. Esses homens são necessários para a revolução da própria…

Dona Júlia Gonçalves Passarinho: Banda de Música de Xapuri

Imagem
A Banda de Música do município de Xapuri – Berço da Revolução Acreana – homenageia a maranhense Senhora “Júlia Gonçalves Passarinho” genitora do famoso político Jarbas Gonçalves Passarinho, do Estado do Pará.
De conformidade com o Decreto Municipal baixado pelo prefeito Edson Dias Dantas, de número 140, de 20 de março de 1973, vê-se que as considerações feitas são alusivas ao prestativo cumprimento de exigências, que é prática quando se quer homenagear um cidadão Xapuriense publicamente. A segunda consideração, nota-se que realmente foi Jarbas Gonçalves Passarinho, quando ministro do Estado da Educação e Cultura, no governo Emílio Médici – 1969/74, que fez doar vários instrumentos musicais.
A esse adendo do legislativo municipal acresce-se o Projeto de Lei n-05/73 (que dispõe sobre a criação da Banda e dá outras providências) datado de 17 de março e Lei municipal n-75, de 4 dias após (que cria a Banda de Música do Município de Xapuri e dá outras providências).

Esses foram os primeiros co…

A perda de um herói

Imagem
A floresta teve uma perda
Morreu uma parte de si
A vida não é mais a mesma
Muito tempo depois
Que Chico se foi
Chico Mendes não foi morto
O mataram
O sangue que sai de seu peito
Derrama

Foi morto a sangue frio
E não resistiu
Sua vida foi tão rápida
Que pra xapuri o mundo olhou
Tivemos uma perda
Que ninguém explicou o que aconteceu
Chico Mendes morreu

Da floresta fez a sua casa
E protegeu com sua própria vida
Pensando na mãe mata
Com sua própria vida e
Ele a protegeu, mas mataram.
Mas mataram Chico
Chico Mendes morreu

Mas a sua luta continua
Dentro de cada um de nos
Vamos proteger a Amazônia
Por que é de todos nos.

Música/Letra:
*Álder Járede - que há um ano, aos 15 anos de idade, fez essa música em homenagem ao grande Chico Mendes.

Foto:
*Acervo família Mendes.

Empate

Imagem
A cidade de Xapuri, foi respeitada por ter surgido em uma região considerada grande produtora de castanha e borracha. Está assentada em terras cobertas por uma imensa floresta onde existiam vários seringais nativos de grande produção.

Da época de 30 à meados dos anos 60, Xapuri era grande exportadora de borracha, castanha e pele de animais silvestres. Essa produção era realizada por seringueiros, homens que vivem embrenhados nas matas. Eles passavam praticamente todo o ano produzindo as pelas e coletando castanhas na época da safra para vender aos patrões. Assim, os seringueiros conseguiam sobreviver em suas Colocações. Alguns tiravam saldo "gordo" que vinham gastar na cidade, comprando roupas e outros acessórios para toda a família, e utensílios de casa, como também participavam dos forrós dançando noite a dentro.

Época esta em que Xapuri recebeu o nome de "Princesinha do Acre", levando este nome em virtude do progresso que reinava nesta terra durante o ciclo da bor…

A caça nos seringais

Imagem
A caça é uma das atividades humanas mais antigas que se tem conhecimento, sendo a principal forma de alimentação para as populações tradicionais que moram no interior da floresta de Xapuri.É comum os seringueiros andarem armados durante seus afazeres, pois vez ou outra topam com alguma caça e já poupam o esforço da caçada futura, levando a carne para almoço ou janta. Aliás, é comum nas refeições de café da manhã, ser consumido a carne de caça, porque os seringueiros acordam muito cedo e passam muito tempo cortando seringa em suas estradas, que em média, tem cento e cinquenta madeiras.Para a caça são desenvolvidas algumas estratégias, em Xapuri as mais utilizadas são: as esperas, caça com cachorro e caça de rastejo. É pouco comum a utilização de armadilhas para captura de animais, porém a mais comum é a preparação da sevada, que é uma espécie de mistura de alimentos, colocado dentro do rio ou igarapé para pegar mais peixes.A espera sempre é montada perto das “comidas” dos animais, é ar…