terça-feira, 31 de março de 2009

O Cotidiano da Princesinha

A conversa sem pressa nas varandas das casas, a cidade vazia nas horas quentes do dia, a negociação longa e detalhada entre os comerciantes e seus fregueses são traços marcantes do atual cotidiano da cidade e de seus moradores.

Nas primeiras décadas do século XX a Cidade do Xapury queria ser uma cidade modelo e para tanto iniciou um amplo serviço de arborização com mangueiras, acácias e pinheiros. Obras urbanas e construções diversas eram erguidas para melhorar a qualidade de vida e orientar a espiritualidade de seus moradores, como o Cacimbão do Bosque e a Igreja de São Sebastião. A partir daí coube aos fiéis realizar leilões, arraiais, missas cantadas e procissões, seguindo sempre o calendário litúrgico, com ênfase nas novenas do santo padroeiro da cidade, São Sebastião, de Nossa Senhora e de São Francisco.

Entre 1915 e 1916 a melhor comida era servida no Restaurante Venturelli, ou nos restaurantes "A Brazileira" e "Central" que serviam além de pratos brasileiros, também pratos italianos, portugueses, espanhóis ou árabes. Nos clubes "Petit Casino" e "Xapuri Club" os adeptos dos jogos de salão se divertiam e disputavam lugar nas mesas de carteado. As noites xapurienses se tornaram ainda mais brilhantes com a inauguração de cinemas como o "Cinematógrafo Acreano", em 1907, no "Casino Xapuriense" e o "Cinema Ideal", em 1916, cujas exibições eram semanais. Os sírios dançavam dabke, misturando suas danças orientais com o maxixe. O "Club Girassol", em 1917, apresentava bailados nas residências e Momo reinava soberano nas cinco noites de carnaval. Isso sem falar nas movimentadas partidas entre o "Xapuri Foot-Ball" e o "Paisandu Foot-Ball" que se enfrentavam no campo da Praça Rio Branco. Marcas de um tempo que não passou porque ainda estão vivas em seus moradores e nas ruas sempre tão tranqüilas da "Princesinha do Acre".


Fontes pesquisadas:

*Acervo Museu do Xapury

Foto:

*Rua 17 de novembro - Acervo IBGE.


sábado, 28 de março de 2009

Cajuína de Xapuri

Existem bebidas 'excêntricas' apreciadas pelos xapurienses tais como os licores de jatobá, mutamba, cupuaçu e caju. Essas bebidas eram, no passado, as preferidas dos patrões e dos comerciantes antes ou após suas refeições.

Uma das bebidas apreciadas – muito procurada por visitantes de diversos lugares do mundo – é a cajuína.
Moradores antigos como D. Maria Cosson e D. Carmem Veloso aprenderam a fazer tanto os licores como a cajuína.
Mas como era produzida a apreciada cajuína?
Quem dá a receita é D. Maria Cosson:

"... Primeiramente selecionávamos os cajus, depois despejávamos em um tacho, tirava as castanhas e cortava-lhes o fundo. Moendo-os em um moinho. Utilizávamos somente o caldo do caju, sem nenhum resquício de água. Fazia-se um fogo no quintal, onde se colocava um tacho, contendo cola em barra, quando ela se desmanchava talhava o caldo. Depois tirávamos do fogo, adoçava-se a gosto, partindo para o processo de filtração, usando sacos que vinham com açúcar, fazendo um formato de uma rede com uma parte de algodão no fundo da rede ( servindo de filtro ). Após a filtração, as garrafas já estavam prontas, ou seja, fervidas, passadas álcool e escorridas. No momento de encher as garrafas, filtravam novamente com algodão no gargalo, levando algumas horas para o enchimento das mesmas. Após cheias, lacravam com cortiças, por não existir tampas naquela época. Abrochavam com linhas para evitar que as mesmas não escapassem da boca das garrafas na hora da fervura, que dura, em média, três horas. Deixando-as esfriar na própria água, até o dia seguinte. Após frias, tirava-as de lá. (...) cortando as cortiças, passavam-se na boca das garrafas o breu derretido. Depois desse longo processo estavam prontas para serem consumidas...".

Ainda hoje utiliza-se o mesmo método tradicional, porém, são utilizados novos equipamentos em sua fabricação, como: prensas, máquinas para lacrar as tampas das garrafas etc..
A cajuína xapuriense é diferente da cearense, que é misturada com água. A nossa não apresenta nenhum resquício de água, sendo mais duradoura em sua conservação.
Segundo depoimento de D. Carmelita Veloso no processo de produção da cajuína há uma "ciência", por isso a presença de mulheres pode interferir em sua produção. D. Carmelita Veloso, é bastante cuidadosa:

"... Só trabalho de noite, porque de noite eu trabalho tranqüila, não dá vigia, porque mulher é bicho curioso e nem todas as mulheres podem olhar, porque ela fica barrenta que só água do rio. Eu já estraguei aqui foi muito balde de cajuína (...) tando menstruada não pode chegar perto, porque ninguém sabe: aqui tá boa e aqui tá ruim, homem pode olhar, qualquer um, mas mulher é bicho danado...".

Apesar da demanda local pela cajuína ter diminuído ao longo do tempo muitos turistas vêm de diferentes e distantes lugares a procura da famosa cajuína de Xapuri!


Fontes pesquisadas:

* Inventário de Referências Culturais de Xapuri;
* Xapurys nº 1 – Dossiê História de Xapuri – UFAC. Xapuri, outubro de 1995.

Foto:

*D. Maria Cosson - de Dhárcules Pinheiro (Foto-montagem de Clenes Alves).

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mãe Recalcada

Por Maria Madalena Dutra de Souza*

Choro, choro
sem derramar lágrimas,
pois estou sentindo a
ausência
do meus filhos.

Parece que eles esqueceram de mim.

Pari, pari
sim,
vários filhos;
alguns, até mesmo, ilustres,
mas estes me abandonaram.

Os mas humildes,
que permanecerem em meu
seio,
também não me afagam.
Não sei o porquê...

Velha não estou, disso tenho certeza; em relação a muitas, estou jovem.

Alguns lembram de mim,
em tempo de euforia.
Procuram me arrumar às
pressas,
querendo me dar um brilho,
que não brilha.

Pintam meus lábios,
mas não trocam minhas vestes
desgastadas pelo tempo.
Só fazem reparos
aqui, acolá
mas não chegam ao todo,
parece até
que vou entrar no bloco dos
sujos.

Tenho um nome, Como as outras mães, mas, também, tenho um apelido de que
me envergonho, quando me chamam.

Pois nunca fui, nem sou, e nem sei se um dia serei, depende
de minhas próximas gestações.

Talvez,
se me chamassem de bruxa,
ao invés de
"princesa"
me deixariam mais feliz,
pois este
é o meu semblante
atualmente.

(Esta mãe é Xapuri)

*Poesia de Maria Madalena Dutra de Souza, formada no Curso de Licenciatura Plena em História, pela UFAC – o texto é de maio de 1995;

*Foto - Xapuri na Visão de um 'Siberiano' - de Fábio Ferreira.



domingo, 22 de março de 2009

Xapuri - Especial: 'Aniversário da Princesinha'



A memória dos primeiros anos de vida de Xapuri está ligado a uma dinâmica de penetração humana com apropriação de terras e à extração vegetal desenfreada, que trouxe com certeza os primeiros desbravadores para a região onde está localizada a cidade de Xapuri. Seu ponto focal de iniciação está associado ao cearense Manoel Raimundo, dono de todo o terreno onde hoje está assentada a cidade. A área foi transferida a João Damasceno Girão, em 1894, passando depois a propriedade de Benedito José Medeiros, em 1898.

Da mesma forma, sua memória está muito ligada a instalação de grandes seringais, como também está ligada a fatos grandiosos da história acreana, pois foi testemunha de lances guerreiros de brasilidade, quando nos dias de agosto de 1902 a abril de 1903 foi berço da Revolução que culminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, anexando as terras acreanas ao Brasil. Foi capital do Estado Independente do Acre com Plácido de Castro, que enfrentou os bolivianos, arregimentando a população num clima cívico de brasilidade, imitando a façanha de Galvez, que primeiro tinha se aventurado na conquista desses limites tardios, proclamando pela primeira vez o Estado do Acre, país independente com capital em Puerto Alonso (atual Porto Acre).

Ambos foram destronados por seringalistas, que tinham interesses diferentes para a região. Sendo Xapuri um povoado, foi elevado à condição de vila em 22 de agosto de 1904 pelo prefeito do Alto Acre, cel. Augusto da Cunha Matos; logo depois, em 22 de março de 1905, por ato do prefeito interino, capitão Odilon Pratagi Brasiliense, foi elevada à categoria de cidade.

Em 1912 é criado o Município e Comarca, instalados em 1 de abril de 1913. O nome tem origem no vocábulo indígena “Chapurry” que significa “rio antes”. Na verdade, sua localização é exatamente numa posição de encontro de dois rios: o Xapuri, que deu nome à cidade e o rio Acre, formando um só. Xapuri também é carinhosamente chamada de “Princesinha do Acre”, provavelmente pelo projeto de grandeza e resplendor pelo qual passou, pois princesinha não chega a alcançar o poder real, mas é preparada para isso.


Fotos:

* 1 - Rio Acre - Rua 17 de Novembro - Acervo IBGE;

*2 - Encontros dos Rios Acre e Xapuri - foto de Caticilene Rodrigues


quinta-feira, 19 de março de 2009

A vida nas famílias xapurienses (Período de 1940 – 1960)

Nas décadas de 1940 a 1960 as famílias xapurienses tinham seus valores centralizados na educação familiar, escolar e religiosa. A família era patriarcal, conservadora e tradicional. O pai representava a figura central, onde todos deviam temê-lo e obedecê-lo, fazendo aquilo que ele mandava e não o que ele fazia. A figura da mãe era vista como a “rainha do lar” onde tinha obrigações de cuidar bem dos filhos, marido e dos trabalhos domésticos.

Cabia somente aos homens trabalhar “fora” e garantir o sustento da família. As mulheres desempenhavam sua função dentro do lar, pois, na vida pública, ainda não havia conquistado os seus espaços. Eram muitas vezes reprimidas de seus desejos, anseios, sonhos vivendo subjugadas às ordens de seus esposos.

O pais é que escolhiam a “pessoa ideal” para casar com seus filhos, dependendo da classe social e da família em que estavam inseridos. A maioria dos casamentos se dava por interesse econômico entre ambas famílias.

Os filhos, desde cedo, eram encaminhados para a escola, onde havia apenas duas instituições escolares: uma pública (Grupo Plácido de Castro) e outra particular (Colégio Divina Providência). Esta última, governada pelas freiras, com o ensino pago e restrito às classes abastadas. Os filhos dos seringalistas iam estudar em Belém, Rio de Janeiro e outros lugares. Dificilmente voltavam.

As famílias sobreviviam baseadas no extrativismo vegetal: coleta de castanha-do-Pará, extração da borracha e venda de peles de animais. A renda concentrava-se na mão dos seringalistas e grandes comerciantes vinculado ao sistema de aviamento das casas aviadoras de Belém e Manaus.

Existia apenas uma religião: a Católica Apostólica Romana, onde o padre exercia influência nas famílias. Ele batizava, casava e dava várias opiniões durante as “confissões”.


Fonte Pesquisada:

Xapurys nº 1 – Dossiê História de Xapuri – UFAC. Xapuri, outubro de 1995.

Fotos:

*1 - Antônio e Adelina Morte da Costa com seus filhos Delmar e Mariete - acervo família Morte da Costa;

*2 - Afonso Zaire e Francisca Bastos - Acervo Particular da Sra. Rosemary Martins da Costa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Cidade Guerreira

A cidade guerreira. É assim que Xapuri poderia ser chamada. Até porque, também pudera, seu nome advém de um povo por natureza belicoso, os Chapurys, tribo indígena que feneceu nas mãos dos primeiros exploradores, mas não antes de deixar seu legado: o nome do rio onde habitavam às margens e, consequentemente, o do município que surgia entre rios e florestas – Xapuri significa 'rio antes' ou, como muitos preferem, 'antes dos rios', dando um sentido mítico (e místico) ao lugar.
É cidade guerreira porque é local de resistência que vai do período da Primeira Insurreição Acreana, passando pela Revolução Acreana, a prosperidade do comércio e exploração do seringueiro, declínio da borracha – sendo nessa época que ganhou o apelido de Princesinha do Acre por continuar produzindo e exportando, só que dessa vez suas brazilian nuts.
A cidade guerreira viu chegar portugueses, árabes, sírios, libaneses, turcos, nordestinos, sulistas e tantos outros filhos que, independente de suas histórias e objetivos, acalentou como a mãe gentil que sempre fora.
Xapuri viu a organização política dos trabalhadores da floresta e foi palco dos empates – luta dos seringueiros contra a tentativa dos fazendeiros de destruir seu meio de subsistência, a tão amada floresta, para fazer pasto para gado – e contemplou personagens que usavam como armas seu próprio corpo, sua coragem e sua esperança, gente que não temia ficar frente a frente aos homens que matavam com armas de fogo de verdade. Mas medo para quê? Afinal, tinham mais medo da morte lenta e dolorosa da fome assassina.
Xapuri, a cidade guerreira, deu à luz a Chico Mendes, filho gentil que levou ao mundo a notícia que os povos da floresta amazônica, seus irmãos, estavam lutando para sobreviver.
E a mãe guerreira chorou quando muitos de seus filhos – inclusive o mesmo Chico que ao mundo sobre seus problemas alertou – feneceram sob a sanha de assassinos ambiciosos e cruéis.
Mesmo assim Xapuri se lembrou que é guerreira e que, como tal, sua luta jamais pode parar.
Ainda hoje Xapuri continua sendo a guerreira que sempre foi. E não é guerreira somente porque tem sua história marcada por constantes lutas. É guerreira, acima de tudo, porque tem um povo também guerreiro, que acredita – não perdendo as esperanças nunca – que a batalha diária pela vida não pode parar, pois dias melhores sempre virão.


Fotos:
*1 - Visão da cidade de Xapuri, Rio Acre, década de 1910 - Acervo Fundação Oswaldo Cruz;
*2 - Ilustração - Guerreira Indígena - Clenes Alves.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Arquitetura: Construções na Cidade do Xapury

No início da história xapuriense, quando os primeiros exploradores aqui chegaram, encontrando apenas os nativos, as construções passaram, basicamente, por três situações distintas e ao mesmo tempo complementares: a arquitetura dos primeiros seringais, a arquitetura importada pré-fabricada e por fim a arquitetura em madeira resultante das experiências com as duas anteriores que podemos chamar de cabocla por sua evidente base cultural.
Na arquitetura dos primeiros seringais, João Damasceno Girão, um dos primeiros pioneiros a ocupar o espaço natural de Xapuri provavelmente se deparou com a dificuldade inicial de “como construir”, “com o que construir” “com quem construir”. A palha e a madeira eram disponíveis em abundância. Havia o índio que entendia da região e sabia como armar sua pousada e o tapiri foi então erguido sobre essas bases – mais tarde se tornando moradia para o seringueiro, adaptando novas e eficientes matérias-primas da natureza, movido pela necessidade de sobrevivência.
A arquitetura importada pré-fabricada, presente no início do século XX, era resultante da febre local pela suposta 'superioridade' cultural européia e sua luxuosidade. Aqui as moradias urbanas ganhavam novo colorido dos pré-fabricados chalés importados da Europa em conformidade com os manuais de instrução. As varandas laterais, os detalhes ogivais nas bandeirolas das esquadrias, as proteções dos beirais adornadas em lambrequins e os vidros coloridos trouxeram o romantismo arquitetônico, tão adequado à Princesinha que reinava por meio de seus “palacetes”.
A arquitetura cabocla era uma adaptação do moderno ao tradicional, construída por mão de obra local, misturando os modelos importados ao conhecimento e cultura do seringueiro – adornos e vitrais foram substituídos, os telhados passaram a utilizar as 'folhas de zinco' (mais tarde, ainda, praticamente substituídas pelas telhas de amianto), expressando o novo status econômico e social.
Ao caminharmos hoje pelas ruas e bairros da Princesinha nos deparamos apenas com os resquícios pouco ou muito delineados das construções, por assim dizer, caboclas, num misto que representa bem mais que a arquitetura do local, mas sua própria identidade.


Fontes pesquisadas:
*Madeira que cupim não rói – de Ana Lúcia Costa;
*Inventário de Referências Culturais de Xapuri – autores diversos.

Fotos:
1 – Tapiri – Moradia seringueira – Ilustração Charel;
2 – Arquitetura Pré-fabricada – Residência, Rua Cel. Brandão, Centro – de Ana Lúcia Costa;
3 – Casa Cabocla – Residência da Sra. Maria Cosson – de Dhárcules Pinheiro.

terça-feira, 10 de março de 2009

Xapuri

Fundada em 1883 com a chegada dos primeiros exploradores a região do Alto Acre, no final do século XIX, Xapuri era ainda um pequeno povoado com poucas casas e barracas que abrigavam cerca de 150 pessoas. A partir da década de 10, Xapuri teve uma vida econômica e sócio-cultural bastante agitada. Sua produção de borracha e sua população aumentavam continuamente. Foram construídas novas casas e instaladas a Intendência Municipal e outras repartições públicas. Enquanto nas colocações dos seringais as moradias eram constituídas apenas de uma barraca erguida no meio de uma clareira para abrigar o seringueiro, nas sedes dos seringais, como nas cidades, os casarões eram construídos seguindo modelos e utilizando matérias-primas importadas.
A Rua do Comércio oferecia de tudo que seus clientes pudessem necessitar: comidas variadas, louças, calçados, tecidos, armas, medicamentos, bebidas, música e diversão. Nessa rua se localizavam também hotéis, barbearias, banco e "clubs" sociais. E foi justamente essa junção da arquitetura importada pêlos patrões para os seringais e as cidades, com as condições características do meio ambiente e os conhecimentos tradicionais dos povos da floresta, que produziram em Xapuri uma arquitetura bastante diversificada. Assim, ainda hoje, Xapuri guarda nas fachadas da Rua do Comércio, ou mesmo nos antigos casarões que resistem à voracidade do tempo, parte importante da história da formação da sociedade acreana.

Fotos:
*Corte da seringa - Dhárcules Pinheiro;
*Residência de paxiúba localizada na Reserva Estrativista Cachoeira: Acrevo Patrimônio Histórico e Cultural - FEM.

Princesinha do Acre


Xapuri, cidade que viu nascer os tempos do desbravamento da região, Revolução Acreana, a opulência vinda da extração do látex, o apogeu e o declínio da exploração da borracha, a devastação da floresta para a criação de pastos, os empates, a vida e a morte de Chico Mendes, e tantos outros líderes seringueiros que fizeram do Município um dos mais representativos do Estado do Acre.
Entretanto, embora esses acontecimentos e as transformações que eles trazem ou provocam tenham tido enorme repercussão e significância no seio da sociedade xapuriense, nos últimos anos muitos dos aspectos que ilustram o cotidiano e a luta dos trabalhadores rurais estão se perdendo na memória coletiva das populações tradicionais. As fases anteriores da nossa história foram lentamente fugindo da memória da população. Por esses fatos surge o projeto “História Multimídia de Xapuri”.
O presente projeto “História Multimídia de Xapuri” tem como objetivo resgatar, salvaguardar, digitalizar e divulgar a história de Xapuri visando sua disponibilização virtual – a pessoas de qualquer lugar do mundo que tenham interesse em conhecer a história da Princesinha do Acre mas que ainda não tiveram acesso.