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Mostrando postagens de Março, 2009

O Cotidiano da Princesinha

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A conversa sem pressa nas varandas das casas, a cidade vazia nas horas quentes do dia, a negociação longa e detalhada entre os comerciantes e seus fregueses são traços marcantes do atual cotidiano da cidade e de seus moradores.Nas primeiras décadas do século XX a Cidade do Xapury queria ser uma cidade modelo e para tanto iniciou um amplo serviço de arborização com mangueiras, acácias e pinheiros. Obras urbanas e construções diversas eram erguidas para melhorar a qualidade de vida e orientar a espiritualidade de seus moradores, como o Cacimbão do Bosque e a Igreja de São Sebastião. A partir daí coube aos fiéis realizar leilões, arraiais, missas cantadas e procissões, seguindo sempre o calendário litúrgico, com ênfase nas novenas do santo padroeiro da cidade, São Sebastião, de Nossa Senhora e de São Francisco.Entre 1915 e 1916 a melhor comida era servida no Restaurante Venturelli, ou nos restaurantes "A Brazileira" e "Central" que serviam além de pratos brasileiros, …

Cajuína de Xapuri

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Existem bebidas 'excêntricas' apreciadas pelos xapurienses tais como os licores de jatobá, mutamba, cupuaçu e caju. Essas bebidas eram, no passado, as preferidas dos patrões e dos comerciantes antes ou após suas refeições.

Uma das bebidas apreciadas – muito procurada por visitantes de diversos lugares do mundo – é a cajuína.
Moradores antigos como D. Maria Cosson e D. Carmem Veloso aprenderam a fazer tanto os licores como a cajuína.
Mas como era produzida a apreciada cajuína?
Quem dá a receita é D. Maria Cosson:
"... Primeiramente selecionávamos os cajus, depois despejávamos em um tacho, tirava as castanhas e cortava-lhes o fundo. Moendo-os em um moinho. Utilizávamos somente o caldo do caju, sem nenhum resquício de água. Fazia-se um fogo no quintal, onde se colocava um tacho, contendo cola em barra, quando ela se desmanchava talhava o caldo. Depois tirávamos do fogo, adoçava-se a gosto, partindo para o processo de filtração, usando sacos que vinham com açúcar, fazendo um forma…

Mãe Recalcada

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Por Maria Madalena Dutra de Souza*

Choro, choro
sem derramar lágrimas,
pois estou sentindo a
ausência
do meus filhos. Parece que eles esqueceram de mim.

Pari, pari
sim,
vários filhos;
alguns, até mesmo, ilustres,
mas estes me abandonaram.

Os mas humildes,
que permanecerem em meu
seio,
também não me afagam.
Não sei o porquê...

Velha não estou, disso tenho certeza; em relação a muitas, estou jovem.

Alguns lembram de mim,
em tempo de euforia.
Procuram me arrumar às
pressas,
querendo me dar um brilho,
que não brilha.

Pintam meus lábios,
mas não trocam minhas vestes
desgastadas pelo tempo.
Só fazem reparos
aqui, acolá
mas não chegam ao todo,
parece até
que vou entrar no bloco dos
sujos.

Tenho um nome, Como as outras mães, mas, também, tenho um apelido de que
me envergonho, quando me chamam.

Pois nunca fui, nem sou, e nem sei se um dia serei, depende
de minhas próximas gestações.

Talvez,
se me chamassem de bruxa,
ao invés de
"princesa"
me deixariam mais feliz,
pois este
é o meu semblante
atualmente.

(Esta mãe é Xapuri)

*Poes…

Xapuri - Especial: 'Aniversário da Princesinha'

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A memória dos primeiros anos de vida de Xapuri está ligado a uma dinâmica de penetração humana com apropriação de terras e à extração vegetal desenfreada, que trouxe com certeza os primeiros desbravadores para a região onde está localizada a cidade de Xapuri. Seu ponto focal de iniciação está associado ao cearense Manoel Raimundo, dono de todo o terreno onde hoje está assentada a cidade. A área foi transferida a João Damasceno Girão, em 1894, passando depois a propriedade de Benedito José Medeiros, em 1898. Da mesma forma, sua memória está muito ligada a instalação de grandes seringais, como também está ligada a fatos grandiosos da história acreana, pois foi testemunha de lances guerreiros de brasilidade, quando nos dias de agosto de 1902 a abril de 1903 foi berço da Revolução que culminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, anexando as terras acreanas ao Brasil. Foi capital do Estado Independente do Acre com Plácido de Castro, que enfrentou os bolivianos, arregimentando a popu…

A vida nas famílias xapurienses (Período de 1940 – 1960)

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Nas décadas de 1940 a 1960 as famílias xapurienses tinham seus valores centralizados na educação familiar, escolar e religiosa. A família era patriarcal, conservadora e tradicional. O pai representava a figura central, onde todos deviam temê-lo e obedecê-lo, fazendo aquilo que ele mandava e não o que ele fazia. A figura da mãe era vista como a “rainha do lar” onde tinha obrigações de cuidar bem dos filhos, marido e dos trabalhos domésticos.Cabia somente aos homens trabalhar “fora” e garantir o sustento da família. As mulheres desempenhavam sua função dentro do lar, pois, na vida pública, ainda não havia conquistado os seus espaços. Eram muitas vezes reprimidas de seus desejos, anseios, sonhos vivendo subjugadas às ordens de seus esposos.O pais é que escolhiam a “pessoa ideal” para casar com seus filhos, dependendo da classe social e da família em que estavam inseridos. A maioria dos casamentos se dava por interesse econômico entre ambas famílias.Os filhos, desde cedo, eram encaminhado…

A Cidade Guerreira

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A cidade guerreira. É assim que Xapuri poderia ser chamada. Até porque, também pudera, seu nome advém de um povo por natureza belicoso, os Chapurys, tribo indígena que feneceu nas mãos dos primeiros exploradores, mas não antes de deixar seu legado: o nome do rio onde habitavam às margens e, consequentemente, o do município que surgia entre rios e florestas – Xapuri significa 'rio antes' ou, como muitos preferem, 'antes dos rios', dando um sentido mítico (e místico) ao lugar.
É cidade guerreira porque é local de resistência que vai do período da Primeira Insurreição Acreana, passando pela Revolução Acreana, a prosperidade do comércio e exploração do seringueiro, declínio da borracha – sendo nessa época que ganhou o apelido de Princesinha do Acre por continuar produzindo e exportando, só que dessa vez suas brazilian nuts.
A cidade guerreira viu chegar portugueses, árabes, sírios, libaneses, turcos, nordestinos, sulistas e tantos outros filhos que, independente de suas his…

Arquitetura: Construções na Cidade do Xapury

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No início da história xapuriense, quando os primeiros exploradores aqui chegaram, encontrando apenas os nativos, as construções passaram, basicamente, por três situações distintas e ao mesmo tempo complementares: a arquitetura dos primeiros seringais, a arquitetura importada pré-fabricada e por fim a arquitetura em madeira resultante das experiências com as duas anteriores que podemos chamar de cabocla por sua evidente base cultural.
Na arquitetura dos primeiros seringais, João Damasceno Girão, um dos primeiros pioneiros a ocupar o espaço natural de Xapuri provavelmente se deparou com a dificuldade inicial de “como construir”, “com o que construir” “com quem construir”. A palha e a madeira eram disponíveis em abundância. Havia o índio que entendia da região e sabia como armar sua pousada e o tapiri foi então erguido sobre essas bases – mais tarde se tornando moradia para o seringueiro, adaptando novas e eficientes matérias-primas da natureza, movido pela necessidade de sobrevivência.
A …

Xapuri

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Fundada em 1883 com a chegada dos primeiros exploradores a região do Alto Acre, no final do século XIX, Xapuri era ainda um pequeno povoado com poucas casas e barracas que abrigavam cerca de 150 pessoas. A partir da década de 10, Xapuri teve uma vida econômica e sócio-cultural bastante agitada. Sua produção de borracha e sua população aumentavam continuamente. Foram construídas novas casas e instaladas a Intendência Municipal e outras repartições públicas. Enquanto nas colocações dos seringais as moradias eram constituídas apenas de uma barraca erguida no meio de uma clareira para abrigar o seringueiro, nas sedes dos seringais, como nas cidades, os casarões eram construídos seguindo modelos e utilizando matérias-primas importadas.
A Rua do Comércio oferecia de tudo que seus clientes pudessem necessitar: comidas variadas, louças, calçados, tecidos, armas, medicamentos, bebidas, música e diversão. Nessa rua se localizavam também hotéis, barbearias, banco e "clubs" sociais. E fo…

Princesinha do Acre

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Xapuri, cidade que viu nascer os tempos do desbravamento da região, Revolução Acreana, a opulência vinda da extração do látex, o apogeu e o declínio da exploração da borracha, a devastação da floresta para a criação de pastos, os empates, a vida e a morte de Chico Mendes, e tantos outros líderes seringueiros que fizeram do Município um dos mais representativos do Estado do Acre.
Entretanto, embora esses acontecimentos e as transformações que eles trazem ou provocam tenham tido enorme repercussão e significância no seio da sociedade xapuriense, nos últimos anos muitos dos aspectos que ilustram o cotidiano e a luta dos trabalhadores rurais estão se perdendo na memória coletiva das populações tradicionais. As fases anteriores da nossa história foram lentamente fugindo da memória da população. Por esses fatos surge o projeto “História Multimídia de Xapuri”.
O presente projeto “História Multimídia de Xapuri” tem como objetivo resgatar, salvaguardar, digitalizar e divulgar a história de Xapur…