Pular para o conteúdo principal

Espetáculo " Arte na Melhor Idade (60+)" coloca o envelhecimento no centro do palco


O espetáculo “Arte na Melhor Idade (60+)” propõe uma reflexão sensível e necessária sobre o envelhecimento, colocando pessoas idosas como protagonistas da cena artística. A montagem lança luz sobre a arte produzida na terceira idade, evidenciando talentos, histórias e vivências que muitas vezes permanecem invisibilizadas nos espaços culturais.

A proposta do espetáculo dialoga com questões essenciais da sociedade contemporânea, como as dificuldades enfrentadas por artistas que vivem em regiões remotas do Brasil, a singularidade dos processos criativos desenvolvidos ao longo da vida e o etarismo, forma de discriminação que exclui aqueles que não se enquadram nos chamados “padrões etários normativos” impostos socialmente.

Utilizando técnicas de teatro, musicalidade e dança, o espetáculo constrói uma narrativa potente, que valoriza o corpo, a memória e a experiência como ferramentas artísticas. A encenação reforça que a arte não tem prazo de validade e que o envelhecimento pode — e deve — ser vivido de forma ativa, criativa e coletiva.


Direção sensível e compromisso social

A direção do espetáculo é assinada por Fabrícia Lima, artista reconhecida por sua atuação no campo cultural, educativo e social. Atriz, contadora de histórias e pesquisadora das danças amazônicas, Fabrícia desenvolve uma pesquisa continuada que articula teatro, movimento, memória e identidade cultural, transformando esses saberes em processos pedagógicos, oficinas e espetáculos com forte impacto comunitário.

Destaca-se, em sua trajetória, o trabalho consistente e comprometido junto à população idosa, público historicamente marginalizado no acesso às políticas culturais. A diretora atua na promoção dos direitos culturais da pessoa idosa, defendendo a arte como um direito fundamental e um instrumento de dignidade, participação social e envelhecimento ativo.

Ao longo de sua carreira, Fabrícia Lima tem desenvolvido espetáculos compostos majoritariamente por pessoas da terceira idade, fortalecendo a autoestima, o pertencimento comunitário e a valorização das experiências de vida desses artistas enquanto sujeitos ativos da cultura. Seu trabalho contribui diretamente para a preservação da memória coletiva e para o fortalecimento da identidade amazônica.


Arte como resistência e protagonismo

“Arte na Melhor Idade (60+)” é mais do que um espetáculo: é um ato de resistência cultural. Ao ocupar o palco com corpos maduros, histórias reais e expressões artísticas plurais, a montagem convida o público a repensar estigmas sobre envelhecimento e a reconhecer a potência criativa que existe em todas as fases da vida.

A obra reafirma a arte como espaço de inclusão, escuta e transformação social, mostrando que nunca é tarde para criar, dançar, atuar e emocionar.


Data: 02/10

Local: Praça Getúlio Bargas

Horário: 20h.


Arte: Divulgação do Grupo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O jacamim

O jacamim mora na floresta, costuma andar de bando com 10 a 15. É uma ave interessante, de cor branca com preto, tem o pescoço comprido, as pernas finas e grandes. Durante o dia anda no chão, porém à noite ele voa para uma árvore alta para dormir, pois assim se sente mais protegido. Ele gosta de esturrar de dia e à noite quando está na dormida. Corre muito na restinga e até no mato cerrado, como no esperaizal e no tabocal. Se alimenta de frutas de copaíba, guariúba, manitê, pama e itaúba; de insetos como formigas, aranhas e besouros, de embuá, minhocas da terra firme, mossorondongo e gongos. Além disso o jacamim ainda se alimenta de animais como a cobra, o sapo e o jabuti. A história do jacamim é quase idêntica à do queixada: por onde eles passam acabam com tudo o que tem pela frente. Apesar de ser um pássaro é muito perigoso para outros animais pequenos. Faz o ninho em paxiúba ou em pau ocado. Põe até 4 ou 5 ovos e sempre quem choca é o casal. Isso acontece no fim do verão. Qua...

O Hino de Xapuri

O Hino de Xapuri tem como autor da letra, o cearense de Fortaleza, nascido em 02 de fevereiro de 1921 “Fernando de Castela Barroso de Almeida”, radicado no Acre em 1943. Trabalhou cortando seringa no Seringal Liberdade, no Alto Purus, escolhido para ser escrevente e redator de cartas do patrão, logo passa a ser gerente e anos depois mudar-se para Manuel Urbano. E logo em seguida fixa residência em Rio Branco. Escritor, poeta e jornalista, publicou as obras literárias Poesias Matutas e Poesias ao Deus Dará. Segundo o mestre Zuca, seu amigo, a letra do Hino de Xapuri foi escrita em Rio Branco-AC. A música do Hino de Xapuri foi instrumentalizada pelo mestre de música Sargento JOSÉ LÁZARO MONTEIRO NUNES, falecido na cidade de Rio Branco, em 07 de setembro de 1988, aos 59 anos de idade. Hino de Xapuri I Página viva da história acreana recebe o nosso afeto e gratidão reverente o teu povo se irmana neste hino que é hino e oração II Terra formosa, terra gentil És Princesa do Acr...

A vida nas famílias xapurienses (Período de 1940 – 1960)

Nas décadas de 1940 a 1960 as famílias xapurienses tinham seus valores centralizados na educação familiar, escolar e religiosa. A família era patriarcal, conservadora e tradicional. O pai representava a figura central, onde todos deviam temê-lo e obedecê-lo, fazendo aquilo que ele mandava e não o que ele fazia. A figura da mãe era vista como a “rainha do lar” onde tinha obrigações de cuidar bem dos filhos, marido e dos trabalhos domésticos. Cabia somente aos homens trabalhar “fora” e garantir o sustento da família. As mulheres desempenhavam sua função dentro do lar, pois, na vida pública, ainda não havia conquistado os seus espaços. Eram muitas vezes reprimidas de seus desejos, anseios, sonhos vivendo subjugadas às ordens de seus esposos. O pais é que escolhiam a “pessoa ideal” para casar com seus filhos, dependendo da classe social e da família em que estavam inseridos. A maioria dos casamentos se dava por interesse econômico entre ambas famílias. Os filhos, desde cedo, eram e...