
A memória dos primeiros anos de vida de Xapuri está ligado a uma dinâmica de penetração humana com apropriação de terras e à extração vegetal desenfreada, que trouxe com certeza os primeiros desbravadores para a região onde está localizada a cidade de Xapuri. Seu ponto focal de iniciação está associado ao cearense Manoel Raimundo, dono de todo o terreno onde hoje está assentada a cidade. A área foi transferida a João Damasceno Girão, em 1894, passando depois a propriedade de Benedito José Medeiros, em 1898.
Da mesma forma, sua memória está muito ligada a instalação de grandes seringais, como também está ligada a fatos grandiosos da história acreana, pois foi testemunha de lances guerreiros de brasilidade, quando nos dias de agosto de 1902 a abril de 1903 foi berço da Revolução que culminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, anexando as terras acreanas ao Brasil. Foi capital do Estado Independente do Acre com Plácido de Castro, que enfrentou os bolivianos, arregimentando a população num clima cívico de brasilidade, imitando a façanha de Galvez, que primeiro tinha se aventurado na conquista desses limites tardios, proclamando pela primeira vez o Estado do Acre, país independente com capital em Puerto Alonso (atual Porto Acre).
Em 1912 é criado o Município e Comarca, instalados em 1 de abril de 1913. O nome tem origem no vocábulo indígena “Chapury” que significa “rio antes”. Na verdade, sua localização é exatamente numa posição de encontro de dois rios: o Xapuri, que deu nome à cidade e o rio Acre, formando um só. Xapuri também é carinhosamente chamada de “Princesinha do Acre”, provavelmente pelo projeto de grandeza e resplendor pelo qual passou, pois princesinha não chega a alcançar o poder real, mas é preparada para isso.
Fotos:
* 1 - Rio Acre - Rua 17 de Novembro - Acervo IBGE;
*2 - Encontros dos Rios Acre e Xapuri - foto de Caticilene Rodrigues
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