quinta-feira, 30 de abril de 2009

Hino de Xapuri

O Hino de Xapuri tem como autor da letra, o cearense de Fortaleza, nascido em 02 de fevereiro de 1921 “Fernando de Castela Barroso de Almeida”, radicado no Acre em 1943. Trabalhou cortando seringa no Seringal Liberdade, no Alto Purus, escolhido para ser escrevente e redator de cartas do patrão, logo passa a ser gerente e anos depois mudar-se para Manuel Urbano. E logo em seguida fixa residência em Rio Branco. Escritor, poeta e jornalista, publicou as obras literárias Poesias Matutas e Poesias ao Deus Dará.

Segundo o mestre Zuca, seu amigo, a letra do Hino de Xapuri foi escrita em Rio Branco-AC.
A música do Hino de Xapuri foi instrumentalizada pelo mestre de música Sargento JOSÉ LÁZARO MONTEIRO NUNES, falecido na cidade de Rio Branco, em 07 de setembro de 1988, aos 59 anos de idade.

Hino de Xapuri

I
Página viva da história acreana
recebe o nosso afeto e gratidão
reverente o teu povo se irmana
neste hino que é hino e oração

II
Terra formosa, terra gentil
És Princesa do Acre,
Glória dos acreanos (Estribilho)
Orgulho do Brasil

III
Teus bravos filhos, afoitos pioneiros
Deste amado e gloriosos rincão
Xapuris que se armaram guerreiros
Neste berço da Revolução

IV
Que o exemplo de tanta afoiteza
De indomável, coragem e ardor
Seja aos novos, lição de grandeza
E esperança de paz e de amor

V
Xapuri nosso berço e agasalho
Nós herdeiros da herança viril
No teu chão plantaremos trabalho
Para glória do nosso Brasil

sábado, 25 de abril de 2009

Comidas: Cardápio do Restaurante Venturelli – em 1916


O Brasil é dotado de uma gama de sabores vindos de todo o mundo, uma espécie de mistura, um ecletismo da arte de degustar. E esse sentido não é limitado a uma região ou outra. Obviamente, cada uma tem suas características próprias.
A região Norte, por sua construção histórica é parte dessa nação que possui diversas comidas típicas, dentre elas o Acre, especialmente o município de Xapuri, onde se encontram essas diferenças de sabores bem variados, seja nos doces ou nas comidas salgadas, com influências árabes, sírias, libanesas, italianas, francesas e portuguesas.
E um dos mais famosos restaurantes da década de 1910 era o Venturelli que servia as mais chiques e requintadas comidas que se tem notícia na história da Princesinha.
Isso pode ser conferido logo abaixo, no cardápio do restaurante Venturelli, publicado no Jornal Commercio do Acre em 3 de dezembro de 1916:


(“)MENU PARA O ALMOÇO
Raviolli
Peixe a mayonaise
Frango Douret
Tornedó a franceza
Leitão assado
Filet a minuta
SOBREMEZA
Creme de abacate
JANTAR
Frios sortidos
Sopa de aspargos
Peixe a maitre d'hotel
Costella de carneiro de grelha
Frango a molho pardo
Perú a minuta
SOBREMEZA
Creme-verze
Sorvete ponch a Roumenie
Xapury, 03 de dezembro de 1916.(”)


Referências:
*Jornal Commercio do Acre, Cidade do Xapury, pág. 5, coluna 3 (foi utilizada a linguagem original da época);
*Inventário de Referências Culturais de Xapuri;


Foto:
*Sopa de aspargos – Sítio Bacaninha

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Damas do prazer

Xapuri, a Princesinha do Acre, destacava-se pela numerosa presença feminina, trazida pela população de seringalistas que era a maior da região. Isso lhes dava o desfrute dos prazeres, atribuindo uma verdadeira corte de alegria, a corte da Princesinha. Não havia só as damas do prazer. As senhoras já instaladas na cidade ou nos seringais, que vieram com seus maridos, imprimiam a austeridade da conduta diurna. As “damas do prazer” tinham livre trânsito pelas ruas a partir das 21h. Nas manhãs ou tardes, podiam circular, apenas com permissão carimbada do agente policial ainda com referência de seu percurso, era o código de honra.

Essas damas, “mariposas”, polacas, francesas e espanholas, serviam mais aos marujos, visitantes que vinham com novidades e dinheiro, pois muitas vezes os nativos, os já estabelecidos, mesmo que comercialmente, encontravam-se exauridos de condições materiais que lhes bancasse a orgia. Elas usavam figurinos da moda francesa, longos e apertados. Salientando as nádegas, costas totalmente abertas e seios expostos, eram os trajes noturnos avançadíssimos para uma época em que imperava a discrição. Eram exuberantes e exóticas e marcavam presença nas rodadas de jogos dos cassinos e nos drinques noturnos.

Tratando-se de Xapuri, é importante fazer uma pequena ressalva em relação à mulher burguesa abastada e a mulher dama da noite, pois houve entre ambas uma forte interação, sem muita resistência, quando, como se sabe, as damas começaram a se casar e constituir família. Essas provocaram uma mudança de costumes e hábitos, e vieram a se tornar as matriarcas, berço da maior parte das genuínas famílias acreanas. Essas jovens senhoras, ajudaram e emprestaram à Xapuri a sua aristocracia do “bem morar” com alegria, tornando-se também sinhás.

Fonte pesquisada:
* Livro Madeira que cupim não rói - de Ana Lúcia Costa

Ilustração:
* Dama do prazer - de Clenes Alves

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Bandeira de Xapuri

Em 20 e 21 de maio de1913, duas leis foram importantes para configurar e delimitar o município: a lei n 3 que determinava os limites do território e a lei n 5, que criava a bandeira e o escudo a serem usados pela Intendência Municipal. A bandeira é idealizada agregando um forte teor de apego à terra:

“Art. 1 – Fica constituída uma bandeira de forma commum com as cores nacionaes, verde e amarello, dispostas em esquadrias separadas uma da outra por uma fachada diagonal azul turquesa, como no campo do globo do pavilhão pátrio, tendo a o centro o escudo ou brazão da intendência,O escudo de armas ou brazão da Intendência Municipal de Xapury, tem a forma dos escudos Libéricos, tendo ao centro sobre um campo verdejante a confluência dos rios Acre e Xapuri, tendo aquelle em sua margem esquerda logo abaixo da confluência, elevando-se gigantescamente uma seringueira, como na parte fronteira d'esta Cidade, e como representante do maior produto do município. Na parte inferior ou à margem direita dos rios enlaçado uma cornucópia, symbolo da fortuna commum machadinho de seringueiro, instrumento producto da fortuna dos que exploram a hevea braziliense. Encima o brazão uma estrella, como da bandeira da Revolução Acreana, substituindo-se a côr rubra d'aquela, symbolo da guerra côr branca, emblema da paz, que ora defructamos. Na parte inferior do escudo uma faixa vermelha unindo o escudo pelos lados direito e esquerdo de bajo com as palavras INTENDÊNCIA MUNICIPAL DE XAPURY.”

O desenho trazendo o símbolo descrito da margem da confluência do Rio Acre e Xapuri, a machadinha, a seringueira e a estrela altaneira, símbolo da Revolução Acreana, ainda estão presentes na bandeira atual que foi idealizada por Francisco Figueiredo Guimarães, vencedor do concurso autorizado pelo Decreto Mun. N 139 de 08 de março de 1973.


Fontes pesquisadas:
* Livro Madeira que Cupim não rói – de Ana Lúcia Costa;

*CDIH/UFAC.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Casas Aviadoras

Na década de 1930, Xapuri vivia seu apogeu. Com o auge da borracha, havia o acelerado movimento portuário, agregando lanchas, navios, chatas, batelões, motor de rabeta e várias embarcações, onde os estivadores passavam a noite inteira no embarque e desembarque de mercadorias, para que, pela manhã bem cedo, antes que as águas baixassem e o sol aparecesse, os navios partissem lotados com borracha e castanha. Circulava muito dinheiro no comércio. Existindo grandes e sortidas lojas comerciais como: Casa Zaire, Casa Kalume e A Limitada.

Nesta época não havia casas residenciais, nem comerciais às margens do Rio Acre, na cidade de Xapuri. Existiam vários portos como: Porto do Zaire, Porto da A Limitada, Porto da Casa Galo, Porto do Kalume e outros.

As famosas casas aviadoras A Limitada e Casa Kalume era quem detinha a maior parte do comércio da época. As fachadas bastante imponentes já antecipavam o poder econômico de seus proprietários. O interior muito amplo abrigava suntuosa escadaria em madeira, balcões e prateleiras, também em madeira, que abrigava todos os tipos de mercadoria, desde a mais fina seda às pelas de borracha. Vários utensílios eram expostos por meio de fios de arame que pendiam das vigas das estruturas.

Marcas registradas da história de Xapuri.

Fontes pesquisas:
* Inventário de Referências Culturais de Xapuri;
* Xapurys nº 2 – Dossiê História de Xapuri – UFAC. Xapuri, 1996.

Fotos:
*1 - A Limitada - de Dhácules Pinheiro;
*2 - Estivador - Site IBGE.

domingo, 5 de abril de 2009

Museu do Xapury

Xapuri, fundada no final do século XIX, passou por diversos acontecimentos marcantes durante todo o seu processo de vida cultural e social. Acontecimentos esses que tiveram grande repercussão e que fizeram a Princesinha ser reconhecida nacional e internacionalmente.

Mas, apesar da cidade guerreira ter tido esses acontecimentos marcantes que deixaram marcas profundas, não quer dizer que sua história de lutas e conquistas seja inesquecível.

Muitos dos fatos importantes que caracterizam a formação da identidade xapuriense foi se perdendo, ao longo dos anos, desaparecendo da memória coletiva das populações tradicionais.
Tudo de belo, maravilhoso, triste, foi se tornando simples relíquia, objetos de recordação e decoração das famílias xapurienses.

E foi da preocupação com essa degradação dos bens materiais, e total esquecimento dos fatos que marcam o surgimento da nossa sociedade que no dia 03 de agosto de 2005 surgiu o Museu do Xapury.

O prédio da Prefeitura Municipal de Xapuri, construído em agosto de 1927, foi escolhido para tal finalidade, destinado a abrigar os diversos objetos e painéis histórico-informativos que retratam a história do povo de Xapuri, desde seu povoamento, passando por sua Belle Èpoque – período de profunda riqueza proveniente de seu ouro: borracha e castanha, que lhe garantiu o título de Princesinha do Acre – retratando o período da Revolução Acreana, a luta do seringueiro, ambientalista e líder sindical Chico Mendes.

Quanto ao acervo é importante ressaltar que ele é formado por: painéis histórico-informativos com a história da cidade e seu povoamento, mostruários com borracha e castanha – ícones da Belle Èpoque da Princesinha do Acre – armas do período da Revolução Acreana, móveis, lustres, uma enorme diversidade de objetos representativos da exploração sobre os trabalhadores da floresta, além de uma escultura do seringueiro, líder sindical e ambientalista Chico Mendes e sua história retratada em fotografias emolduradas.

Hoje o Museu do Xapury é uma referência no que trata da história da cidade guerreira, Princesinha do Acre.

Visite o Museu do Xapury – de Terça a sexta-feira das 08:00h às 18:00; aos sábados de 08:30h às 17:30h; e aos domingos e feriados das 09:00h às 13:00h.


Nota: As postagens, a partir de agora, serão a cada 5 dias.

Fotos:
*1 – Prédio do Museu do Xapury, em janeiro de 2009 – de Caticilene Rodrigues;
*2 – Prédio da Prefeitura década de 1970 – IBGE