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Fonte do Bosque

Em junho de 1915 foi entregue a servidão pública o manancial do Bosque que fornecia água para à população da cidade do Xapury, com melhoramentos adaptados pela Intendência Municipal. A antiga fonte, que fornecia água foi transformada em um tanque de alvenaria com 3m de comprimento por 2m de largura, acumulando em 12 horas 7.200L de água que era retirada por meio de uma torneira. A Fonte do Bosque é também considerada um dos locais mais importantes para os xapurienses. Dela era extraída água que matava a sede dos transeuntes e também dos moradores da cidade. Servia também para lavar roupa das famílias do lugar. Existiam duas pessoas que sobreviviam da água que eles vendiam da fonte – Chico Ferraz e Manoel “Bundinha” - que transportavam em um jumentinho, em galões. Esses vendedores viviam do comércio de água e abasteciam os lares das famílias que tinham condições financeiras para arcar com o consumo do líquido cristalino. Era chique beber e lavar com água da Fonte do Bosque. ...

Comidas: Cardápio do Restaurante Venturelli – em 1916

O Brasil é dotado de uma gama de sabores vindos de todo o mundo, uma espécie de mistura, um ecletismo da arte de degustar. E esse sentido não é limitado a uma região ou outra. Obviamente, cada uma tem suas características próprias. A região Norte, por sua construção histórica é parte dessa nação que possui diversas comidas típicas, dentre elas o Acre, especialmente o município de Xapuri, onde se encontram essas diferenças de sabores bem variados, seja nos doces ou nas comidas salgadas, com influências árabes, sírias, libanesas, italianas, francesas e portuguesas. E um dos mais famosos restaurantes da década de 1910 era o Venturelli que servia as mais chiques e requintadas comidas que se tem notícia na história da Princesinha. Isso pode ser conferido logo abaixo, no cardápio do restaurante Venturelli, publicado no Jornal Commercio do Acre em 3 de dezembro de 1916: (“)MENU PARA O ALMOÇO Raviolli Peixe a mayonaise Frango Douret Tornedó a franceza Leitão assado Filet a minut...

O Cotidiano da Princesinha

A conversa sem pressa nas varandas das casas, a cidade vazia nas horas quentes do dia, a negociação longa e detalhada entre os comerciantes e seus fregueses são traços marcantes do atual cotidiano da cidade e de seus moradores. Nas primeiras décadas do século XX a Cidade do Xapury queria ser uma cidade modelo e para tanto iniciou um amplo serviço de arborização com mangueiras, acácias e pinheiros. Obras urbanas e construções diversas eram erguidas para melhorar a qualidade de vida e orientar a espiritualidade de seus moradores, como o Cacimbão do Bosque e a Igreja de São Sebastião. A partir daí coube aos fiéis realizar leilões, arraiais, missas cantadas e procissões, seguindo sempre o calendário litúrgico, com ênfase nas novenas do santo padroeiro da cidade, São Sebastião, de Nossa Senhora e de São Francisco. Entre 1915 e 1916 a melhor comida era servida no Restaurante Venturelli, ou nos restaurantes "A Brazileira" e "Central" que serviam além de pratos brasil...

O São João do Guarani

As promessas são feitas com muita fé e pagas a cada ano por um número crescente de pessoas no seringal que leva o nome de Guarani. Diferem do modo como eram "pagas" antes, pois agora com a facilidade do transporte devido às melhorias feitas no percurso do local, já é possível seguir de carro ou moto - quando não se tem uma bicicleta ou um cavalo. O percurso feito de modo doloroso e enfadante, de cerca de 12 horas de "cachorro no grito" agora é uma opção cada vez menor entre os devotos - que modificam a forma de agradecer à graça recebida mas não subtraem a quantidade de sua fé. São João ainda reúne centenas de pessoas em seu dia - mesmo dia que São João bíblico - no local chamado Guarani, que assistem a missa na capela dedicada a ele. No local também se encontra um reservatório menor, uma pequena casa onde são depositadas partes do corpo entalhadas em madeira, mechas de cabelo, fotos, roupas e mais uma infinidade de coisas que fazem parte do pagamento das prome...

Os Regatões

Uma das figuras famosas ao se falar na vida dos seringais da Amazônia eram os regatões. Provenientes do oriente próximo chegaram a fluxo intenso ao Brasil, entre 1870 e 1913. Hábeis vendedores, eles se dedicaram ao comércio ambulante em várias regiões do País, especialmente na Amazônia, ficando conhecidos como regatões, ou seja, ambulantes que vendiam de tudo nos “barrancos dos rios”, através de embarcações entulhadas de mercadorias. O motivo de atração destes homens para a Amazônia foi, sem sombra de dúvidas, a riqueza propiciada pela atividade gumífera nesses distantes locais. Os regatões perambulavam pelos rios e varadouros cumprindo aquela máxima de que quem não estivesse pelado era freguês. Ameaçavam, assim, o poderio dos seringalistas. Por isso, os regatões eram mal vistos pela elite da sociedade extrativista, e sofriam com a marginalização e os preconceitos daí decorrentes. Externo ao seringal, mas nunca distante dele, o regatão era um verdadeiro transgressor às ordens...

Arte na Ruína leva espetáculo a Bibliotecas do Acre, promovendo cultura e intercâmbio

A companhia Arte na Ruína, sediada em Xapuri, Acre, está celebrando a aprovação de um projeto em 2019 pelo Fundo Estadual de Cultura do Acre. Esta conquista proporcionou à companhia a oportunidade única de realizar um intercâmbio de apresentações fora de sua cidade natal. O espetáculo escolhido, intitulado " O ensaio surreal do grito sufocado (versão para fora do prédio da ruína)", será levado a três bibliotecas em dois municípios acreanos: Epitaciolândia e Rio Branco. Cenários não convencionais para apresentações A Arte na Ruína tem uma história de apresentações em locais não convencionais, como uma delegacia velha e abandonada, onde a intervenção artística sob as estrelas se transformou em um documentário. Agora, eles escolheram três bibliotecas, mas não foram espaços escolhidos aleatoriamente. A escolha estratégica visa proporcionar experiências únicas e promover a cultura em lugares fora do circuito cultural tradicional. As bibliotecas escolhidas Biblioteca Paxiúba em Ri...

Fogão a lenha

Nada mais delicioso que comer uma comida preparada no fogão a lenha, feitas preferencialmente pelas senhoras que moram nos seringais de Xapuri – ou mergulhar no tempo para ter tal oportunidade. “A comida ganha mais sabor”, dizem os mais velhos ao experimentar os pratos produzidos no fogão comum, a gás, da zona urbana de qualquer município. O ‘gosto especial’ parece ser o “amor”, como nos conhecidos comerciais da televisão, ou o cuidado com que fazem, os ingredientes comuns, porém plantados no mato, dão o toque especial à refeição. Parece mentira, mas a sensação que se tem é que o feijão ou o arroz ganham uma dose extra de sabor, convidando para o pecado capital da gula. Os fogões a lenha eram feitos de barro, artesanalmente, pelos seringueiros, tendo como combustível a lenha reaproveitada de troncos de árvores que não iam ter outro fim senão a decomposição natural. O fogo era feito com ‘sernambi’ - que eram os restos da borracha defumada - utilizado com grande proveito, num verdadei...