Pular para o conteúdo principal

Projeto xapuriense é finalista do Prêmio Viva Leitura 2011

A Fundação Santillana, patrocinadora do Prêmio Viva Leitura, divulgou no início de outubro os projetos finalistas da sexta edição do maior prêmio de incentivo à leitura no Brasil. Com um total de 1.865 projetos inscritos, a edição deste ano conquistou mais uma vez abrangência nacional, com iniciativas provenientes de todas as regiões do país. Os finalistas de 2011 são dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Amapá, Acre e Amazonas.


Dentre os projetos selecionados para a final do Prêmio está o ‘Quintais Literários', iniciativa xapuriense, concorrendo em uma das três categorias de abrangência: (1) Bibliotecas públicas, privadas e comunitárias; (2) Escolas públicas e privadas; e (3) Sociedade: empresas, ONGs, pessoas físicas, universidades e instituições sociais. Na cerimônia de premiação dos vencedores, no próximo dia 10, no Rio de Janeiro, também será concedida a Menção Honrosa "José Mindlin".
Realizado desde 2006, o Prêmio Viva Leitura é uma iniciativa dos Ministérios da Educação e da Cultura e da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). O Prêmio também faz parte do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL).


Sobre a iniciativa

O que você tem no seu quintal?


Pois no quintal dos irmãos Clenes e Cleilson Alves você encontra, nos finais de semana, além da vasta área de 12m por 30m com árvores e galinhas, diversos livros, contadores de histórias, exibição de vídeos, leituras coletivas, música e muita animação. Esse é o projeto ‘Seringais Culturais: Quintais Literários’, que une o patrimônio imaterial da memória dos povos que moram na floresta – seringueiros, ribeirinhos, castanheiros, soldados da borracha - através da contação de histórias com o incentivo à leitura.

Aos finais de semana o quintal se transforma em um ambiente onde todos podem partilhar dos livros, revistas e gibis arrecadados com a comunidade do bairro Jiquiá e arredores, juntamente com a arte e o lado lúdico proporcionado pelas folhas que encantam as crianças de todas as idades. A iniciativa data de maio de 2008 e nasceu após Cleilson ser discriminado na escola por estar atrasado com a leitura e a escrita, passando a procurar nos livros e revistas de parentes e amigos o refúgio secreto para longas e intensas viagens.

Verificando que não podia deixar apenas consigo tal ato viciante, o rapaz, juntamente com seu irmão, que na época tinha menos de 18 anos, resolveu juntar suas experiências de teatro e contação de histórias e com o acesso à leitura a crianças, jovens e adolescentes das comunidades xapurienses. Como não tinha espaço para fazer tal trabalho passou a utilizar sua própria casa e, principalmente, os quintais de vizinhos e amigos. Atualmente, utiliza apenas o seu quintal, que virou referência para os que têm sede por leitura e arte. Hoje, a iniciativa conta com um acervo composto por livros, revistas, gibis e dezenas de DVDs educativos doados por diversas pessoas.


Como acontece


Em quintais – inicialmente acontecia apenas no quintal dos dois irmãos, mas como a ideia foi dando cada vez mais certo, passaram a utilizar outros, de parentes, amigos, chegando aos quintais de pessoas que solicitavam. Levam seus livros em bicicletas, com suporte, juntamente com as fantasias dos atores e contadores de histórias.
Mais sobre a iniciativa

A equipe, que conta com 10 voluntários, se divide nas etapas dos ‘Quintais Literários’ e procura por apoiadores para continuar o belo trabalho dos fundos da casa simples da terra de Chico Mendes.


O “Quintais Culturais” é uma espécie de biblioteca viva e lúdica que traz a magia dos livros e seus personagens para os fundos da casa localizada na Rua Petrônio Rodrigues, 574, no Bairro Jiquiá, em Xapuri, no Acre.


As histórias contadas, entre as leituras diversificadas, são colhidas nos seringais, com seringueiros, soldados da borracha, ribeirinhos, índios, gente que viveu as histórias amazônicas e as transforma em contação para seus netos, bisnetos e filhos.


O Grupo Fuxico se apropria de tal arte amazônica para utilizar as histórias dos povos da floresta em suas apresentações de contação de histórias – e isso é utilizado nos Quintais Literários.
Infelizmente a iniciativa ainda não conta com qualquer auxílio financeiro institucional, mas está à procura.


A cerimônia de premiação acontece no próximo dia 10 de novembro, no Rio de Janeiro, e o projeto ‘Quintais Literários será representado no evento por Clenes Alves, conhecido no meio artístico regional como Clenes Guerreiro, também coordenador do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri.


Além do “Quintais Literários” - que concorre com mais 4 projetos na terceira categoria – outro projeto acreano, intitulado “Biblioteca Comunitária de Santa Rosa”, iniciativa de Cruzeiro do Sul, está entre os finalistas, concorrendo na primeira categoria.


Mais informações podem ser obtidas no site do Prêmio Viva Leitura.



Texto também divulgado no Blog Xapuri Agora e site Agência de Notícias do Acre.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Xapuri: Resumo Histórico

Xapuri, que está na desombocadura do Rio que lhe deu nome, com o Rio Acre, sempre teve destaque na história do Acre e da Amazônia. Durante os períodos conhecidos como "ciclos da borracha", era a principal referência (em termos sociais e culturais) do Acre em outras regiões do país. Na época movida e dirigida por famílias de comerciantes de origem sírio-libanesa, o município esbanjava luxo no pequeno centro urbano, e ocultava a situação de miséria social a que eram submetidas as famílias que moravam no interior da floresta extraindo o látex. A partir da década de 1970, o município volta a chamar atenção devido à denuncias feitas pelo líder sindical Chico Mendes. Ligado á causa dos trabalhadores rurais, Chico Mendes é assassinado em 1988, mas deixa um legado importantíssimo na história do movimento ecológico mundial. Por esses motivos, é uma das cidades mais conhecidas do mundo. A imagem é do Google Maps e o texto é do site Ecoviagem .

O jacamim

O jacamim mora na floresta, costuma andar de bando com 10 a 15. É uma ave interessante, de cor branca com preto, tem o pescoço comprido, as pernas finas e grandes. Durante o dia anda no chão, porém à noite ele voa para uma árvore alta para dormir, pois assim se sente mais protegido. Ele gosta de esturrar de dia e à noite quando está na dormida. Corre muito na restinga e até no mato cerrado, como no esperaizal e no tabocal. Se alimenta de frutas de copaíba, guariúba, manitê, pama e itaúba; de insetos como formigas, aranhas e besouros, de embuá, minhocas da terra firme, mossorondongo e gongos. Além disso o jacamim ainda se alimenta de animais como a cobra, o sapo e o jabuti. A história do jacamim é quase idêntica à do queixada: por onde eles passam acabam com tudo o que tem pela frente. Apesar de ser um pássaro é muito perigoso para outros animais pequenos. Faz o ninho em paxiúba ou em pau ocado. Põe até 4 ou 5 ovos e sempre quem choca é o casal. Isso acontece no fim do verão. Qua...

Casas Aviadoras

Na década de 1930, Xapuri vivia seu apogeu. Com o auge da borracha, havia o acelerado movimento portuário, agregando lanchas, navios, chatas, batelões, motor de rabeta e várias embarcações, onde os estivadores passavam a noite inteira no embarque e desembarque de mercadorias, para que, pela manhã bem cedo, antes que as águas baixassem e o sol aparecesse, os navios partissem lotados com borracha e castanha. Circulava muito dinheiro no comércio. Existindo grandes e sortidas lojas comerciais como: Casa Zaire, Casa Kalume e A Limitada. Nesta época não havia casas residenciais, nem comerciais às margens do Rio Acre, na cidade de Xapuri. Existiam vários portos como: Porto do Zaire, Porto da A Limitada, Porto da Casa Galo, Porto do Kalume e outros. As famosas casas aviadoras A Limitada e Casa Kalume era quem detinha a maior parte do comércio da época. As fachadas bastante imponentes já antecipavam o poder econômico de seus proprietários. O interior muito amplo abrigava suntuosa escadaria e...