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22 anos sem Chico


Chico Mendes, homem guerreiro, líder sindical, rei seringueiro, pessoa simples, iluminado... estas são algumas das palavras que poderiam denominar quem foi esse pequeno grande homem - e, de fato, são alguns dos termos que escutamos quem fala dele dizer em alto e bom som (e às vezes escrever).

Quem fala mal - esses não vale nem a pena dar ouvidos - não parou para pensar a grandeza de seus atos. Quem de nós seria capaz de lutar pelas pessoas que gosta, com todas as forças, ajuntando um verdadeiro conglomerado para auxiliá-lo? Sei que muitos podem dizer "eu seria e sou capz". ´

Está bem. Acrescente a tal questão o seguinte: e se para defender os seus e tudo aquilo que acredita tivesse de enfrentar vários capangas armados enquanto as únicas armas que você dispõe (e necessita) são a amizade e os corpos (seu e de seus amigos), além da certeza nos sonhos? A situação começou a ficar diferente, não foi?

Acrescente ainda: e se para lutar pelos seus, defender as florestas que estavam sendo derrubadas, garantir que seus sonhos se estendam a seus filhos e netos exista constantes ameaças de morte? (agora sim você pode pensar em desistir, certo?)

Pois Chico Mendes mesmo sendo ameaçado continuou a sua trilha em busca da garantia de dias melhores para si e para os seus, levando ao mundo a problemática por que passavam os moradores das florestas - alguns, a esse ponto, expulsos das matas de que tanto amavam e tiravam seu sustento.

Como duvidar da capacidade de um homem que foi um guerreiro sem armas - quer dizer, sem as habituais armas que você conhece, as que ferem o corpo, que matam o físico. Suas armas eram maiores, iam além do combate físico e irracional.

Como duvidar de alguém que lia Nietzsche, que acreditava nos sonhos e que deixou um verdadeiro legado aos seus herdeiros (no caso, todos nós)?

E principalmente, como não admirar um homem que estava à frente de seu tempo, que, como todo gênio, até hoje permanece um incompreendido por muitos de seus conterrâneos, que virou um ícone mundial em defesa do meio ambiente, mas sem deixar de ser um simples seringueiro, xapuriense e pai de família?

É. Heróis seringueiros existem cada vez menos. Cruzar os braços, criticar quem fez algo grandioso por muitos e reclamar da vida parece o mais fácil a se fazer, não é mesmo?

Há 22 anos atrás Chico Mendes era brutalmente assassinado nos fundos de sua casa, uma semana após completar 44 anos de vida - e ao invés de morrer foi imortalizado.

Quisera nascessem outros 3 ou 4 Chicos.
Ilustração:
*Chico Mendes - Tela de Rômulo Rodrigues, em exposição no Museu do Xapury até Janeiro.

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