segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Chico Mendes Vive!

Por Rose Farias
Agência de Notícias do Acre

 
Há 26 anos morria o líder extrativista Chico Mendes. Foi na noite de 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos de idade, que Francisco Alves Mendes Filho foi assassinado com um tiro de escopeta no peito, na porta de sua casa, em Xapuri, Acre. O sindicalista virou mártir da causa ambientalista.

Chico Mendes, com sua luta pela preservarão das florestas, chamou a atenção do mundo inteiro para a proteção do meio ambiente e promoveu o debate ecológico.


Uma de suas últimas entrevistas foi com o jornalista Edilson Martins, duas semanas antes de ser assassinado.  Seu anúncio de que iria ser morto era claro, e ao mesmo tempo demonstrava sua vontade de querer viver para lutar em prol das florestas, como nas últimas palavras ditas na entrevista.


“Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia.”


Para Ângela Mendes, filha de Chico, o legado deixado pelo pai, nos tempos de hoje, tem alcançado o que ele sonhava para a preservação da natureza e dos povos da floresta, mesmo que seja preciso mais avanços.


“Nesse dia, as lembranças são fortes e emanam do coração, mas é importante ressaltar que os sonhos do meu pai, principalmente nesse processo de que é possível o homem viver em paz com a natureza, têm sido disseminados. Hoje não se discute política ambiental e sustentabilidade sem levar em conta o legado deixado por meu pai”, disse.


O líder extrativista


Nascido em 15 de dezembro de 1944, em Xapuri, trabalhou desde criança no seringal Porto, com o pai. Chico Mendes aprendeu a ler aos 20 anos. A partir de 1973, passou a se envolver em conflitos de terras com fazendeiros. Criou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia. Chico, a partir daí, ganhou destaque ao promover os “empates”, manifestações pacíficas de seringueiros que protegiam as florestas.
Em 1977, fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e foi eleito vereador na Câmara Municipal. Um ano depois, recebeu sua primeira ameaça de morte. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores no Acre. Chico Mendes denunciou a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros provocados por projetos financiados por bancos estrangeiros. No ano de sua morte, ganhou o prêmio Global 500, oferecido pela ONU. Em 2013, O ativista foi reconhecido, por lei, como patrono nacional do meio ambiente.

Xapuriense lança livro no Rio de Janeiro

Por Márcia Moreira
Agência de Notícias do Acre

 

Uma narrativa sobre o choque cultural nos anos 70, entre o avanço das frentes agrícolas, rodoviárias, de mineração, do agronegócio e as culturas primitivas, até então isoladas e afastadas da civilização há nove, dez mil anos.
Esta é a nova história que o escritor, jornalista e documentarista, Edilson Martins, escreveu o livro “A viagem de Bediai, O Selvagem – e o voo das borboletas negras”, lançado no último dia 5, no Rio de Janeiro.


Sinopse:

“Bedial, O Selvagem”, é uma reportagem histórica, com viés ficcional, envolvendo os personagens ícones que dominaram a região naqueles anos: os sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas (irmãos) e Chico e Apoema Meireles (pais e filho); o sindicalista e ativista ambiental Chico Mendes; o antropólogo e político Darcy Ribeiro; o bispo emérito de São Félix do Araguaia, D. Pedro Casaldáliga, hoje com 86 anos – além de seringueiros e, principalmente, os índios, com os quais o autor conviveu por mais de 40 anos.
A trama aborda a história de um jovem, após anos no exterior, que retorna ao Brasil e descobre um diário de viagem do pai documentarista, falecido no ano da queda de Berlim. “Este livro é a narrativa do choque econômico, histórico, cultural e étnico dos anos 70, entre a chegada das chamadas frentes pioneiras em contato com os povos indígenas da Amazônia, tudo isso com muito humor.”, explica Edilson.
 

O autor:

Edilson Martins - Nascido no seringal Esperança, em Xapuri, foi militante e preso político no final da década de 60. É autor de outros sete livros: Chico Mendes – Um povo da floresta; Nós, do Araguaia; Makaloba; Nosso índios, nosso mortos; Amazônia, a última fronteira; Páginas verdes e Ecologia – A busca da sobrevivência.
Trabalhou no Jornal do Brasil, Diário Carioca, Tribuna da Imprensa, Manchete e O Pasquim, e produziu reportagens para diversos canais de TV. Ganhou o mais conceituado prêmio da televisão brasileira, o Vladimir Herzog, com o documentário “Chico Mendes – Um povo da floresta”, de 1989. Em 2011,, dirigiu a série “AmazôniAdentro”, exibida pela TV Brasil. Parte de seus trabalhos está disponível no Portal da ONU, na internet.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

'A menina que emprestava livros' é finalista do Prêmio VivaLeitura 2014



Apaixonada pelo livro chamado “A menina que roubava livros”, de autoria de Markus Zusak, Clemilsa Alves teve a ideia de levar livros para emprestar aos moradores das áreas rurais do município de Xapuri, no Estado do Acre.
Dessa história nasceu o projeto “A menina que emprestava livros”, que conta com mais 5 auxiliares, agentes de leitura que levam livros, contação de histórias, alegria e a magia da leitura para os seringais da região.
Escolhida entre os 20 finalistas do Prêmio – entre as 5 da sua categoria (Promotor de leitura – pessoa física) – Clemilsa representará o Acre a região norte e participará da cerimônia de premiação dos finalistas que acontecerá no dia 16 de dezembro, no Salão Nobre do Congresso Nacional, em Brasília (DF).

Sobre o Prêmio

O Prêmio VIVALEITURA foi criado depois do Ano Ibero-americano da Leitura comemorado em 2005, com o objetivo de estimular, fomentar e reconhecer as melhores experiências que promovam a leitura. Exclusivamente cultural, o Prêmio VivaLeitura tem abrangência nacional e integra as ações do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Trata-se de uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC), do Ministério da Educação (MEC) e da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e da Fundação Santillana.
O prêmio tem como objetivos estimular e fomentar a leitura, a formação cidadã e reconhecer as melhores experiências de promoção de leitura desenvolvidas no país por bibliotecas, escolas, sociedade e indivíduos. As despesas com passagens e hospedagem serão pagas pelos organizadores do prêmio.

A menina que emprestava livros

Iniciado em fevereiro de 2012, o projeto tem o objetivo de levar a leitura onde esta habitualmente não chega, propiciando o direito à leitura a todas as pessoas que moram na zona rural da cidade de Xapuri e entorno, o projeto 'A menina que emprestava livros' conta com mais cinco integrantes que, aos finais de semana, percorre os seringais da região, emprestando livros, fazendo leituras coletivas, contação de histórias e levando a literatura aos lugares mais afastados do Município.
O projeto concorre com mais cinco participantes na categoria de número 4: Promotor de Leitura (Pessoa Física).

Sobre a idealizadora do Projeto
Clemilsa Alves é formada em Teatro (UnB), funcionária do SESC de Xapuri, contadora de histórias do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri e atriz da Companhia de Artes Cênicas Arte na Ruína.
Clemilsa é apaixonada por livros, teatro e contação de histórias e tem o sonho de compartilhar sua paixão pela arte com o mundo.

Mais informações: www.premiovivaleitura.org.br e http://www.oei.org.br/