terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dallyanna Lima... 4 anos depois

Por Clenes Alves
Esse é mais um ano em que essa data me é muito triste e bem que poderia ser apagada - mas mesmo que fosse não apagaria os acontecimentos tristes que culminaram por transformar tal dia em um dos mais trágicos de minha vida.

Hoje é o dia em que perdi uma pessoa muito especial chamada Dallynna Lima. quer dizer, já se passaram 4 anos, mas parece que foi ontem, pois os sentimentos de tristeza ainda permanecem.

Mas, como alguém me falou que deveria fazer, posto agora um pouco de quem foi essa estrela tão iluminada:

Dallyanna Lima nasceu em Xapuri, em 16 de dezembro de 1987, no Seringal Floresta, colocação Gafanhoto, onde viveu até os seus 13/14 anos, vindo para a cidade estudar. Aqui conheceu o teatro e se apaixonou pela arte, fazendo trabalhos com o Grupo Poronga e a Cia. Garatuja (esta última, de Rio Branco). Participou de alguns festivais (FESTAC e Festival Brasileense de Teatro), inclusive levando o prêmio de melhor atriz coadjuvante em um deles.

Nesse enredo artístico também era contadora de histórias, por vezes diretora e até escreveu muitos dos textos que apresentava (um deles circulando alguns municípios do Acre, adentrando Bolívia e também Peru).

Nesse meio tempo casou-se, mesmo muito jovem, tendo de regrar um pouco de sua vida artística porque o marido 'não deixava' - veio a se separar após a violência doméstica que sofria, sendo que a última a mandou com ferimentos graves para o hospital.


Para fugir da vida de violência chegou a passar quase um ano no Rio de Janeiro e até fez alguns testes para a televisão, mas foi na gravidez que consiguiu ser chamada para um atuar nas telinhas brasileiras, mas não sabia que nunca chegaria de fato a gravar.

Em Xapuri, quando veio passar algumas semanas, se apaixonou e acabou ficando. Como toda mulher moderna ela mesma pedira o namorado em casamento (ou namorido, como gostava de chamar).

Quando descobriu a gravidez logo se apaixonou pelo menino que estava por vir - estranhamente, Dallyanna sabia desde o início, mesmo antes de ser posível ver pelas ultrassonografias, que seria um bebê do sexo masculino.

Mas, como toda estrela, Dallyanna foi brilhar mais longe, no alto, após o mal-sucedido procedimento de parto que culminou em sua morte, no dia 28 de dezembro de 2006.

Dallyanna Lima não chegou a ver o seu filho, nem um simples olhar, as dores e a falta de consciência - quase todo o tempo seguido do parto - fez com que uma verdadeira agonia passasse a habitar nos corações de seus parentes e amigos que acompanhavam de perto, mas sem poder fazer nada naquele caso nebuloso.

Seus amigos verdadeiramente a amam e por isso mesmo ela é lembrada em todos os lugares, principalmente nas apresentações teatrais, em que todas, ao final, são dedicadas a ela.

Dally partiu, mas deixou um filho lindo, uma família que a a adora e amigos que sabem que seu laço é mais forte que tudo - até mesmo que a própria morte.

Assim, só me resta dizer dizer que o amor que nos une é tão grande que por mais que compreenda que a morte é apenas um continuação da vida não consigo entender porque pessoas tão especiais vão embora enquanto o mundo permanece povoado de vivos monstruosos.

Dallyanna, eternamente Dallyanna, como diz o poeta: 'o amor é infinito'.
Fotos:
*1 - Dallyanna Lima em circulação de espetáculo no Peru - Por Clenes Alves;
*2 - Dallyanna Lima em Senador Guiomar onde apresentava o espetáculo Chapurys (Grupo Poronga em parceria com a Cia. Garatuja) - Por Hédson Uchoa;
*3 - Dallyanna com os amigos Clenes Alves e Mayra Souza - Por Cildo Aquino.





segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Aniversário do Amon-há

Hoje é mais um daqueles dias especiais: o dia em que Amon-há Kirshnan completa os seus 4 aninhos de idade.
Amon-há Kirshnan é filho de Dallyanna Lima e Cildo Aquino. É órfão de mãe, criado pelo pai e por sua avó, rodeado de crianças - seus primos - cheio de energia como todo menino de sua idade.

O pequeno adora bolo e por isso a família se reunirá, logo mais à noite, para fazer uma singela manifestação de afeto nesse dia especial e ao mesmo tempo triste - pois sua mãe faleceu um dia após concebê-lo, sequer chegando a ver o filho que tanto amou desde o dia que soube estar grávida.


Recebeu nome de dois deuses da mitologia egípcia (Amon-há = Deus dos deuses, força criadora de vida; e Kirshnan = um tipo de deus da fertilidade), escolhidos carinhosamente por sua mãe, pouco após o 5º mês de gestação.


Amon-há estuda na creche olhar de criança e, como a mãe, já está aprendendo, desde cedo, a contar histórias e fazer teatro.

Ficam os nossos parabéns!
Fotos:
*1 - Amon-há com Clenes e Clemilsa - Por Clenes Alves;
*2 - Amon-há com cerca de 02 anos - Por Cildo Aquino.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É natal!

É o que o blog HMX deseja a você, leitor, que não nos abandona!
Muita luz no seu caminho!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Papai Noel em Xapuri



Já é tradição em Xapuri a visita do Papai Noel próximo ao dia de natal. Esse ano, ainda no dia de hoje, muito cedo o "Papai Noel" desfilava pelas ruas da cidade, sobre um carro todo enfeitado, gritando o famoso 'Ho, ho, ho, Feliz Natal', alegrando a criançada e garantindo uma entrega de presentes, a partir das 20h, no Painel dos Mártires.


Juntamente com a entrega de presentes um programação cultural, com apresentações de roda de Capoeira do grupo Senzala, algumas performances musicais com alunos do Pró-Jovem Adolescente, além da participação do Grupo Parlendas que está em Circulação Literária com patrocínio da Funarte/MinC.


O evento é organizado pela Prefeitura Municipal de Xapuri e movimenta a sempre calma cidade, trazendo as famosas e tradicionais (no mundo todo) festas de fim de ano.


Como disse uma criança na rua, ao ver o carro passando: "Papai Noel chegou! então é natal!".
Fotos:
*1 - Papai Noel - Lateral da Hilux que transportava o personagem natalino;
*2 - Papai Noel chegando - As duas fotos são de Clenes Alves.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

22 anos sem Chico


Chico Mendes, homem guerreiro, líder sindical, rei seringueiro, pessoa simples, iluminado... estas são algumas das palavras que poderiam denominar quem foi esse pequeno grande homem - e, de fato, são alguns dos termos que escutamos quem fala dele dizer em alto e bom som (e às vezes escrever).

Quem fala mal - esses não vale nem a pena dar ouvidos - não parou para pensar a grandeza de seus atos. Quem de nós seria capaz de lutar pelas pessoas que gosta, com todas as forças, ajuntando um verdadeiro conglomerado para auxiliá-lo? Sei que muitos podem dizer "eu seria e sou capz". ´

Está bem. Acrescente a tal questão o seguinte: e se para defender os seus e tudo aquilo que acredita tivesse de enfrentar vários capangas armados enquanto as únicas armas que você dispõe (e necessita) são a amizade e os corpos (seu e de seus amigos), além da certeza nos sonhos? A situação começou a ficar diferente, não foi?

Acrescente ainda: e se para lutar pelos seus, defender as florestas que estavam sendo derrubadas, garantir que seus sonhos se estendam a seus filhos e netos exista constantes ameaças de morte? (agora sim você pode pensar em desistir, certo?)

Pois Chico Mendes mesmo sendo ameaçado continuou a sua trilha em busca da garantia de dias melhores para si e para os seus, levando ao mundo a problemática por que passavam os moradores das florestas - alguns, a esse ponto, expulsos das matas de que tanto amavam e tiravam seu sustento.

Como duvidar da capacidade de um homem que foi um guerreiro sem armas - quer dizer, sem as habituais armas que você conhece, as que ferem o corpo, que matam o físico. Suas armas eram maiores, iam além do combate físico e irracional.

Como duvidar de alguém que lia Nietzsche, que acreditava nos sonhos e que deixou um verdadeiro legado aos seus herdeiros (no caso, todos nós)?

E principalmente, como não admirar um homem que estava à frente de seu tempo, que, como todo gênio, até hoje permanece um incompreendido por muitos de seus conterrâneos, que virou um ícone mundial em defesa do meio ambiente, mas sem deixar de ser um simples seringueiro, xapuriense e pai de família?

É. Heróis seringueiros existem cada vez menos. Cruzar os braços, criticar quem fez algo grandioso por muitos e reclamar da vida parece o mais fácil a se fazer, não é mesmo?

Há 22 anos atrás Chico Mendes era brutalmente assassinado nos fundos de sua casa, uma semana após completar 44 anos de vida - e ao invés de morrer foi imortalizado.

Quisera nascessem outros 3 ou 4 Chicos.
Ilustração:
*Chico Mendes - Tela de Rômulo Rodrigues, em exposição no Museu do Xapury até Janeiro.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De olho na rede: Um tributo a Chico Mendes

Estamos inaugurando nova seção aqui no blog HMX: é o 'De olho na rede', onde compartilharemos com nossos leitores um pouco do muito que pesquisamos e achamos interessante pela rede mundial de computadores - sempre, evidentemente, citando autor e dando o link para o sítio em que está disponível.

Para início de conversa, encontramos um texto muito interessante (e emocionante), fazendo uma homenagem a Chico Mendes:



Tributo a Chico Mendes


Por Glauber Goularte Lima

Link: Aqui


A semana Chico Mendes inicia no Brasil inteiro, todos os anos, no dia de hoje (15/12), exatamente o dia do seu aniversário; e encerra no dia 22 de dezembro, data em que foi assassinado (22/12/88) a mando de latifundiários por defender a preservação da floresta amazônica. Tinha então 44 anos, muitos sonhos e nenhuma hesitação em se colocar frontalmente contra o poder secular do latifúndio.


Figura simbólica da luta contra a destruição da maior reserva de biodiversidade do planeta, pagou com seu sangue o preço de não ter preço. Inúmeras vezes os porta-vozes das grandes corporações que colocam ilegalmente a selva abaixo, quiseram comprá-lo. Vãs tentativas. Era de uma nobre estirpe, enraizada no coração do povo humilde e explorado, incapaz do gesto da traição. Seu semblante expressava uma profunda tranqüilidade, típica de pessoas especiais, que colocam causas relevantes acima da própria vida. Mesmo jurado de morte inúmeras vezes, nunca esmoreceu. Viveu a sua particular crônica de uma morte anunciada, pois todo o povo acreano sabia que seus dias estavam contados para que o latifúndio vicejasse sobre a floresta destruída. Mas nunca se entregou.


Que exemplo de honradez e dignidade, quando alguns politiqueiros de plantão andam com um cifrão à testa, oferecendo-se a quem lhes oferta o melhor preço; quando para muitos, a palavra empenhada deixou de ser a expressão da retidão de caráter para transformar-se num instrumento de engodo e traição. Esse homem, como Zumbi, foi um dos grandes do seu tempo. Herdeiro de uma tradição de resistência e luta que o poder dominante, através do esquecimento, quer apagar.


Alô, Chico. Onde quer que estejas, saiba que teu povo se orgulha de ti. Saiba que tua voz multiplicou-se em milhares de vozes, e que a vida sempre será o limite quando se defende uma causa verdadeira. Que orgulho de contigo compartilhar a condição de ser brasileiro e lutador em defesa das causas de nosso povo, quando muitos se acovardaram e hoje freqüentam as cortes do poder dominante, usufruindo de suas benesses. Tua causa é a nossa causa, e tua voz indômita e serena pra sempre ecoará no coração de nosso povo.


Até sempre, irmão.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Xapuri em imagem: Placas de sinalização em Xapuri

Atendendo a pedidos, postamos foto das placas - ou pelo menos de uma delas - sendo colocada próxima da Igreja Católica, clicada por Clenes Alves.

Agora os turistas não correm mais o risco de se perder na terrinha de Chico Mendes.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Museu e Arte Xapuri: Quando o Museu do Xapury vira palco


O Museu do Xapury é uma instituição museológica, localizada à Rua Cel. Brandão, nº 156, Centro da cidade de Xapuri, interior do Estado Acre. Tal lugar abriga um pouco da história da 'Princesinha do Acre', sua formação, a febre do ouro negro amazônico, Revolução Acreana, a castanha, os povos indígenas que deram nome ao rio e a própria cidade, o comércio, seringais, o ícone Chico Mendes, os povos da floresta, os empates, enfim, abrica uma riqueza imaterial de valor incalculável, disponível aos visitantes locais e turistas de diversos lugares do Brasil e do Mundo.

Mas não é só isso. O Museu do Xapury tem se tornado, nos últimos anos, um importante espaço de abertura às artes, com diversificadas programações culturais, atraindo diferentes públicos, principalmente crianças, adolescentes e jovens, mostrando que museus não são apenas locais de coisas velhas, mas um local convidativo, um lugar de todos.

Tal fato tem se potencializado com o Projeto Museu e Arte Xapuri, aprovado na Edital 2010 da Lei Estadual de Incentivo à Cultura da Fundação Elias Mansour, cujo proponente é Clenes Alves, executado por meio da parceria entre Museu do Xapury, Grupo Arte na Ruína e Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri, patrocinados pela ArtMóveis e Comercial Duarte.

Desde que começou a ser executado, em 08 de outubro de 2010, até sua finalização, em 08 de dezembro de 2010, o Projeto Museu e Arte Xapuri contou com ampla grade de atrações culturais:

1- Apresentações teatrais realizadas pelo Grupo Arte na Ruína:

  • Belinha e o Bêbado;

  • Flor de Vida;

  • Nossos Santos Juninos;

  • Tadinha da Dona Baratinha.

2 - Apresentações de teatro infantil realizadas em parceria entre Grupo Fuxico e alunos das oficinas de iniciação tetral:

  • Zezin e Mariquinha;

  • O Sapato do Rei;

  • Chapelão de Palha e Visagem Chico da Mata;

  • A Vassoura da Bruxa.


3 - Contação de Histórias:

  • Todas realizadas pelo Grupo Fuxico de contadores de Histórias, dentro do conhecido projeto "Contos & Recontos de Xapuri".


4 - Exibições de filmes:

  • Arte na Ruína;

  • Antes que termine o dia;

  • A Noiva cadáver;

  • Mulheres do Brasil;

  • Um bom ano;

  • Aparição/ O portal;

  • Dogville;

  • O cheiro do ralo;

  • O fabuloso destino de Amelie Poulain;

  • Os melhores do mundo: notícias populares;

  • Não por acaso;

  • Vestido de noiva;

  • Dose tripla mistério;

  • Pixar Shorts.


O público estimado do projeto é de 5718 pessoas, de todas as idades, ultrapassando a meta inicial proposta, dando visibilidade à instituição, além de abrir espaço para que os artistas locais tenham mais uma fonte de renda e uma oportunidade de mostrar seu trabalho, fazendo uma espécie de intervenção, unindo patrimônio cultural, arte, educação, audiovisual, literatura e muita diversão.

Esperamos que mais iniciativas assim sejam aprovadas para que Xapuri continue evoluindo culturalmente, garantindo aos jovens uma oportunidade de se divertir com qualidade, além de abrir as portas do Museu do Xapury para o mundo - principalmente para os filhos queridos da cansada mãe Xapuri.

Arte:

Banner 1 e 2: Projeto Museu e Arte Xapuri - Divulgação.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Oficina de Laboratório de Teatro em Xapuri

Aconteceu no dia 01 de dezembro, no prédio da Universidade Aberta do Brasil, pólo de Xapuri, a oficina de Laboratório de Teatro, endereçada aos acadêmicos de Teatro da Universidade de Brasília, do Curso de Licenciatura Semi-presencial.
A oficina realizou-se das 18h às 22h, sendo endereçada aos pólos de Xapuri e Brasiléia, com o objetivo de desenvolver princípios básicos de caracterização e interpretação teatral através de exercícios práticos desenvolvidos individual e coletivamente ao artistas e futuros arte-educadores.

Quem ministrou foi Maria Garcia, tutora à distância da UnB, formada em Artes Cênicas, produtora, professora, maquiadora, palhaça, além de ser atriz - concorrendo com o curta-metragem digital "Do andar de baixo", de Otavio Chamorro e Luiza Campos, no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (mesmo festival em que o curta xapuriense 'Arte na Ruína', de Wagner San e Clenes Alves, está participando).

Tais oficinas fazem parte do roteiro de aulas práticas programadas dentro do Curso de Licenciatura em Teatro e que acontecem a cada bimestre, onde vem tutores de Brasília trazendo aprendizagens enriquecedoras aos acadêmicos.

Foto:
*Maria Garcia - Divulgação do Curta "Do andar de Baixo".