terça-feira, 29 de junho de 2010

Wilson Pinheiro: Uma lição de vida e coragem

Quem conhece a história de luta de Chico Mendes sabe que muitos outros nomes que faziam parte do movimento em defesa dos povos da floresta foram perseguidos e brutalmente assassinados - como o próprio Chico assim foi.

Nessa triste longa lista está Wilson Pinheiro, homem humilde, sindicalista, trabalhador da floresta, nascido no Amazonas mas morando no Acre desde muito cedo, era alto e tinha a pele queimada pelo sol escaldante dos homens guerreiros que mantinham nas mãos - e no corpo - a marca do trabalho incansável de extração do látex das terras amazônicas.

Na época era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, situado em um prédio simples, de frente para a igreja da cidade, onde contava com mais trabalho do que gente para cumpri-lo, sendo de extrema importância a aliança dos amigos, também seringueiros, que serviam de voluntários na pequena instituição que lutava pelos direitos de quem viva da mata e seus frutos (vegetais ou animais).

Em meio a esse ambiente de trabalho - e fonte de vida - que representava a floresta tinham os "invasores", latifundiários que queriam arrancar do cenário acreano as árvores, tirando o meio de sustento dos seringueiros para transformar em pasto para gado.

Muitos foram os seringueiros, ribeirinhos e castanheiros que se uniram para empatar os desmandos que aconteciam no interior acriano. E poucos foram os homens que tomaram à frente, liderando centenas de seringueiros que desejavam o bem coletivo dos colhedores de seringa.
Um desses homens sem medo era Wilson Pinheiro, que apesar de jurado de morte por latifundiários permanecia com sua batalha diária, encontrando no Sindicato uma verdadeira fortaleza.
Mas conseguiram ultrapassar essa fortaleza. No dia 21 de julho de 1980, há 30 anos atrás, conversando com seus companheiros, dentro do querido Sindicato de Brasiléia, virado contra a janela, folheando papéis, olhando vez ou outra a televisão, recebeu os tiros convardes em suas costas indefesas.

Foram quatro tiros que tiraram a vida do grande Wilson Pinheiro, o primeiro de vários outros grandes nomes do movimento em defesa da floresta e de seu povo.

Wilson Pinheiro defendeu o direito que os povos da floresta tinham à terra, sua mãe gentil, participando dos empates que defendiam as florestas das derrubadas, lutando juntamente com Chico Mendes - seu amigo, aprendiz e professor.

Pinheiro é um dos grandes nomes que merece ser lembrado pelos seus feitos heróicos e pela luta em defesa do direito à vida dos povos que necessitavam da floresta para trabalhar, viver e nos ensinar que não importam as adversidades ou ameaças todos podemos reagir para garantir o bem coletivo mesmo que isso signifique o usurpar de seu próprio direito de viver.

Fotos:
*1 - Wilson Pinheiro e sua filha Andréia (famosa foto, também encontrada reprodução no Museu do Xapury) - Acervo familiar;
*2 - Wilson Pinheiro - Acervo familiar.

domingo, 27 de junho de 2010

I Feirão de Cultura em Xapuri

Riqueza cultural representada. Foi o que se viu nesses três dias do evento intitulado Feirão de Cultura, que tinha o objetivo de mostrar os produtos culturais de Xapuri, Brasiléia, Assis Brasil, Capixaba, Epitaciolândia e Rio Branco, em eventos que aconteceram nesses três últimos dias, encerrando-se hoje.

O projeto foi uma realização da Rede de Encontros de Cultura, que é a junção de parcerias como Fundação Garibaldi Brasil, SESC, Sebrae, SESI e IPHAN, divulgando os diversos fazeres artístico-culturais a diferentes observadores da área e à comunidade local.

A programação do I Feirão de Cultura foi idealizado para acontecer em Xapuri devido ao passado histórico, a luta de Chico Mendes e a atuação dos jovens do Grupo Cultural Arte na Ruína, que levaram sua história de luta através das artes para o mundo através do documentário do Revelando os Brasis, em 2008.

Os eventos incluem palestras, oficinas, exposições, apresentações de espetáculos teatrais dos produtores das cidades envolvidas, além da ilustre participação do escritor Carpinejar e a contadora de histórias Rubia, abrilhantando ainda mais a programação.

O Feirão tem como objetivo potencializar a economia dos municípios do Acre através dos produtos culturais que estão sendo apresentados como se estivessem em uma vitrine, após passarem por duas etapas de capacitações, melhorando o produto final e introduzindo o contemporâneo conceito de 'Economia da Cultura'.

O Feirão, que se encerra hoje, conta com mais uma etapa do projeto, promovendo - ainda esse ano - mais workshops para os produtores locais, dessa vez com oficineiros de renome nacional.

Dentre os grupos que mostram seu trabalho estão "Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri" e "Grupo Arte na Ruína", compostos por artistas de Xapuri, representando a história cultural da Princezinha do Acre.

O evento é uma realização do Governo do Estado do Acre através da Fundação Elias Mansour e Sebrae/AC.

Fotos dos produtos culturais de Xapuri:
*1 - Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri - Por Willis Martins;
*2 - Obra em serigrafia - de Rômulo Rodrigues, foto de Clenes Alves;
*3 - Arte na Ruína - por Renato Reis.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São João do Guarani – O Santo da Floresta

Há tempos os povos das florestas de Xapuri são conhecidos por sua fé, caracteriza por meio de suas crenças nas mais diferentes forças da natureza e nos santos que tem sua história entranhada no imaginário dos moradores da mata.

Um exemplo bastante conhecido é São João do Guarani, que tem seu dia comemorado no mesmo dia de São João bíblico, em 24 de junho.

Todo ano nesse dia, milhares de pessoas – não só xapurienses mas devotos de diversos estados brasileiros e até mesmo de outros países – se dirigem ao Seringal Boa Vista, colocação de mesmo nome, para rezar, acender velas e pagar as promessas feitas em momentos de extrema necessidade.

O lugar é simples, tem uma igreja, um cruzeiro e uma capela - casinha menor, uma espécie de santuário, onde se veem diversas fotos e os peculiares artefatos – membros humanos esculpidos em madeira: cabeça, perna, braço, símbolos das graças alcançadas.

Antigamente era comum as pessoas enfrentarem 12 horas de “cachorro no grito”, como dizem os povos da comunidade, significando que o percurso era feito a pé – fator primordial para cumprir as promessas feitas ao Santo João.

Hoje, com a abertura dos ramais, o percurso já pode ser feito por meio de carro ou moto, mas muitos ainda preferem enfrentar o martírio da caminhada ao lugar distante, pois sentem pagar melhor a promessa.

Muitas são as histórias que explicam a origem da devoção ao santo mas a mais conhecida – e aceita pela população dali – é que tudo se iniciou quando um homem ficou perdido na mata, por ter avistado uma cruz - seu objeto de medo - e, tentando desviar-se não encontrou mais o caminho que pretendia percorrer. Em meio ao desespero, o homem apelou por uma promessa, conseguindo sair dali.

O milagre, seu primeiro, é atribuído a João, um Pernambucano que veio para o Acre atrás de melhorar de vida, em épocas áureas do látex, encontrando aqui apenas a vida difícil das matas do lugar.

João, que morava na região do rio Iaco, no Seringal Recife, teria morrido às margens de um varadouro localizado na Colocação Guarani que servia de passagem entre Xapuri e o Iaco, de impaludismo (forma como chamavam a malária naquela época), por volta de 1906.

Depois que o homem que se perdeu contou a amigos sobre o suposto milagre, diversas graças começaram a ser alcançadas – todas atribuídas a João.

No local onde João morrera ergueram uma capela e passaram a rezar por ele. Como seu nome era João passaram a comemorar seu dia em 24 de junho (igual a São João bíblico).

Oficialmente, um milagre, para ser reconhecido pela Igreja, necessita de prova científica rigorosa – fato que impede que o santo seja reconhecido pelo Vaticano – o que não impede que os devotos continuem a acreditar, firmar novas promessas, pagar as que receberam graça e festejar a alma milagrosa do Guarani.

Hoje seus devotos são numerosos e os 40 km de Xapuri, iniciados no Bairro Sibéria, do outro lado do Rio Acre, são percorridos – a pé, cavalo, carro, moto – para rezar e participar de vasta programação que conta com eventos como partidas de futebol e festa no período da noite.

Fotos:

1 - Missa noturna na Igreja de São João do Guarani - de Talita Oliveira;

2 - Cruzeiro de São João do Guarani - Talita Oliveira;

3 - Membros esculpidos em madeira, presentes na capela do lugar - Talita Oliveira;

4 - Time de futebol no São João do Guarani, em junho de 2008 - Talita Oliveira.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Diário de Bordo: 8ª Semana de Museus e Mês do Meio Ambiente

Na arte pós-moderna se permite apropriar dos mais diferentes espaços para refletir os elementos artísticos de diferentes manifestações culturais, englobando parceiros e promovendo a construção coletiva de perfomances e espetáculos que levem à reflexão e às devidas mudanças na realidade em que vivemos. Foi com esse objetivo que o Museu do Xapury participou da 8ª Semana Nacional de Museus, promovendo seu tema: Museus para a harmonia social,

eventos que se uniram com o Mês do Meio Ambiente.

A programação contou com a exposição “A estética do futebol e outras imagens”, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer os trabalhos de Rubens Gerchman, um dos maiores artistas brasileiros da atualidade.

“Suspiros teatrais: seringal de ideias”, do Grupo Arte na Ruína e “Conta aqui, conta acolá” do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri deram um toque cênico ao Museu e despertaram nos estudantes que assistiram o prazer de ver arte tetral no Museu, reconhecendo em sua totalidade a função museológica na instituição Museu do Xapury.

Ao longo de toda a programação o Museu do Xapury recebeu diversos estudantes da rede pública de Xapuri, além de muitos turistas de várias partes do país e do mundo.

As apresentações culturais foram executadas por 06 artistas, 01 guia e 02 coordenadores do evento apoiado pela FEM e pelo IBRAM – e são resultado dos esforços da instituição em apoiar as iniciativas culturais e disponibilizar, ao público nacional e internacional um pouco da nossa cultura.


“A estética do futebol e outras imagens”

Representação, por meio de quadros em serigrafia, de grandes nomes do futebol de todas as épocas, imortalizando os “pés de ouro” dos campos do Brasil, além de outras imagens, do artista Rubens Gerchman.

“Suspiros teatrais: seringal de ideias”

O Grupo Arte na Ruína, substituindo as apresentações do Grupo Poronga, apresentou uma sequência de pequenos espetáculos interligados, que encantaram quem assistiu.

O Grupo, que abrange diversas manifestações artístico-culturais, cujo trabalho se iniciou em uma delegacia velha, abandonada e em ruínas, a menos de 100 metros da Casa de Chico Mendes, começou a apresentação com uma performance de capoeira, executada pelo jovem Ed Santana.

As apresentações que se seguiram foram contextualizadas por Clenes Alves, que narrou fatos e idéias de jovens dentro dos seringais xapurienses, revelando sonhos, idéias e realidade, tudo sendo interpretado por Alder Járede, Clemilsa Alves e Cley Almeida, recebendo apoio técnico de David Almeida, jovens comprometidos com a cultura (e a realidade social) local.

“Conta aqui, conta Acolá”

Os artistas do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri apresentaram, fazendo a antepenúltima apresentação do projeto ‘Contos & Recontos de Xapuri’, projeto aprovado na Lei de Incentivo à Cultura da Fundação Elias Mansour (FEM) de 2009.

As estórias e histórias são resultado de pesquisa que fizeram em comunidades, seringais e com pessoas idosas do município de Xapuri, resgatando e recontado as estórias/histórias que povoam a cultura local e que correm o risco de se perder se não ocorrerem ações como a do Grupo Fuxico.

Eram estórias de vivências, curiosidades, sonhos, lendas, animações, causos de quem marcou história em Xapuri.

Todos os eventos ocorreram no Museu do Xapury – a exposição ‘A estética do futebol e outras imagens’ iniciou dia 27 de abril e terminou em 18 de junho’; a apresentação “Suspiros teatrais: seringal de idéias”, do Grupo Arte na Ruína, ocorreu no dia 08 de junho; “Conta aqui, conta acolá”, do Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri, apresentou em 09 de junho – levando para dentro da instituição museológica a arte dos palcos e da vida.

Fotos/Ilustração

*1-Arte-montagem de Clenes Alves;

* 2 - Conta Aqui, conta acolá - Por Clenes Alves;

* 3 - Seringal de Ideias - Idem;

* 4 - Visitação à exposição "A estética do Futebol e outras imagens' - Por Caticilene Rodrigues;

*5 - Capoeira, abertura da apresentação Arte na Ruína - de Clenes Alves;

*6 - Grupo Fuxico de contadores de Histórias de Xapuri - Por Willis Martins.



sexta-feira, 18 de junho de 2010

A estética do futebol-arte de Gerchman


As linguagens artísticas ultrapassam as barreiras do tempo, dos limites geográficos e do público a quem são destinadas. Refletem a cultura de um lugar e representam artisticamente a essência do artista que a concebe.

Pensando assim nos reportamos até Rubens Gerchman e sua paixão pelo futebol. Aliás, não apenas pelo futebol, mas por temas cotidianos, que provocam e fazem refletir.

Gerchman sempre respeitou uma visão socioantropológica da arte, fato que acabou fazendo com
que o artista desenvolvesse nos anos 1960 uma série falando sobre o futebol brasileiro, onde representou as figuras do esporte de seu tempo salvaguardando-as para a posteridade.

Outros temas surgiram durante sua carreira, mas antes de deixar essa vida para entrar na história das artes plásticas, visuais, Gerchman volta ao tema "futebol-arte" brasileiro - onde homenageia personalidades do passado e da modernidade - e reúne uma série de quadros em serigrafia.

A série, coincidindo com a Copa do Mundo, foi levada para vários lugares do Brasil e do exterior e está sendo encerrada hoje no Museu do Xapury, na terra de outro grande artista da vida chamado Chico Mendes.

A exposição fez parte da programação da Semana de Museus, sendo iniciada em 27 de abril e contou com a visitação incansável de turmas das escolas das redes estadual e municipal do município e cidades vizinhas, além de centenas de turistas advindos dos mais diferentes lugares.




Abaixo, um depoimento extraído do programa da exposição, de autoria de Armando Nogueira, saudoso jornalista esportivo e escritor xapuriense, falando do artista:


'Feliz o povo que pode reverenciar heróis nascidos não no luto infausto dos campos de batalha, mas no verde refrescante dos campos de futebol. '


"Gerchman e eu jogamos juntos desde a Copa do Mundo de 86, no México.

Escrevi um livro, Bola de Cristal, que ele ilustrou, eternizando gestos memoráveis dos heróis do futebol mundial. Como eu, Gerchman vem das peladas da infância. Ambos sem boas histórias para contar. Na biografia do pintor, como na minha, ninguém encontrará um drible, um passe ou um gol que tenha merecido celebração.

Passamos pelos campos sem ser notados pelas bolas do jogo. Uma coisa, porém, nos aproxima: temos um fascínio desmedido pelo esporte, a começar do futebol. E foi justamente essse universo lúdico que inspirou Gerchman a recriar, na poesia de seu pincel, a própria mitologia do futebol brasileiro. De Heleno de Freitas a Ronaldinho, de Leônidas da Silva a Romário, aí estão, de corpo inteiro, epicamente retratados, nossos ídolos.

Feliz o povo que pode reverenciar heróis nascidos não no luto infausto dos campos de batalha, mas no verde refrescante dos campos de futebol. Este álbum e a exposição são frutos de uma parceria. Uma tabelinha na qual eu entro com a palavra, que esclarece, e Gerchman entra com o mistério de sua arte, trazendo a magia de suas tintas às figuras mais legendárias do nosso futebol. Com esta obra, Gerchman faz um verdadeiro gol de letra."

A exposição se encerra hoje, sendo retirada amanhã pela manhã, viajando para destinos desconhecidos, deixando saudades nos xapurienses apreciadores da arte da estática do futebol de Rubens Gerchman.

*1 - Gerchman e sua obra - fotógrafo não citado - disponível no sítio garimpandopalavras.blogspot.com;
*2 - Alunos da 5ª Série da E.E.E.F. Anthero Soares Bezerra - por Clenes Alves;
*3 - Alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Divina Providência - por Clenes Alves.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um lugar chamado Sibéria

Do outro lado do Rio Acre, com uma igreja em tom rosado, de Nossa Senhora das Dores, casas simples e gente trabalhadora está localizado o Bairro Sibéria, no município de Xapuri.
Sibéria era antes um grande seringal nos tempos áureos da extração do ouro negro da Amazônia e o que favorecia o crescimento do lugar, facilitando o escoamento da produção gomífera, hoje é um dos obstáculos do desenvolvimento do lugar: o rio.
Os moradores tem de enfrentar a luta diária de atravessar para a outra parte da cidade – local onde se concentram os bancos, correios, cartório e diversas outras instituições importantes – por meio de catraias (barcos a remo que suportam cerca de 10 pessoas). Os moradores sempre reivindicaram a ponte que até agora, apesar de ser muito prometida em eleições, não foi construída.
A comunidade também realiza, anualmente, uma animada festa de aniversário – esse ano comemorando seus 23 anos de fundação da organização de moradores – festa essa que já é referência no município.
A festa é realizada com poucos recursos mas agrada com cantores, grupos de teatro, rodeios, mutirão para tirar documentos e fazer consultas nas mais diferentes especialidades, agregando cada vez mais parceiros e atraindo verdadeiras multidões na festividade que é realizada anualmente de 10 a 14 de junho.
Também é do lado da Sibéria que ainda se concentra boa parte da mata da região de Xapuri, além dos seringais e de parte da Reserva Extrativista Chico Mendes.
É por meio da Sibéria que se chega ao famoso santuário de São João do Guarani, visitado por muitos devotos anualmente – incluindo pessoas até de outros países.
O povo é hospitaleiro, trabalhador, simples, honesto, gente que tem esperança, que sonha e que luta para que chegue à comunidade benesses que venham fortalecer os alicerces do local, fazendo despontar ainda mais esse mágico lugar chamado Sibéria.

Fotos:
1 – Porto da Catraia, ligação ao Bairro Sibéria – Dhárcules Pinheiro;
2 – Detalhe do Sino da Igreja de N.S. das Dores - Dhárcules Pinheiro.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Programação da 8ª Semana de Museus & Mês do Meio Ambiente no Museu do Xapury

A programação da 8ª Semana Nacional de Museus, cujo tema era ‘Museus para a harmonia social’, se intensificou nas mais diversas instituições museológicas brasileiras no período entre 17 e 23 de maio.
O Museu do Xapury iniciou sua participação com a exposição “A estética do futebol e outras imagens”, de Rubens Gerchman, aberta à visitação ainda no final de abril se estendendo até 18 de junho.
Devido a contratempos logísticos o auge da programação se junta às comemorações do mês do meio ambiente, conforme cronograma abaixo:

Suspiros Teatrais: “Seringal de idéias”
Jovens do Grupo Arte na Ruína em parceria com Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri
Dia: 08 de junho
Horário: às 09:30h e às 15:30h

“Conta aqui, conta acolá”
Encerramento do projeto Contos & Recontos de Xapuri
Grupo Fuxico de Contadores de Histórias de Xapuri
Dia: 09 de junho
Horário: às 09:30h e às 15:30h

Os eventos são promovidos pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Associação Brasileira de Museologia (ABM) e Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM) tem objetivo de aproximar a sociedade dos espaços de memória, valorizando a cultura local e fortalecendo os laços entre grupos artísticos, agentes museológicos e população.
Não deixe de conferir!


Foto: Grupo Fuxico de Contadores de Xapury – Acervo do Grupo.

sábado, 5 de junho de 2010

Dia do Meio Ambiente

Os Rios de XapuriAdicionar imagem

5 de junho é o dia dedicado ao Meio Ambiente. O mundo todo aproveita tal dia para destacar os problemas e sugerir intervenções urgentes.

A temática ambiental e ecológica passou a ocupar o topo da lista de preocupações mundiais em meados do século XX, sendo que a preocupação com o meio ambiente não é uma coisa antiga na história da humanidade mas tem se refletido em resultados positivos que nos permitem imaginar um futuro melhor para todos.

Em nossa cidade, porém, não dá para ver os Rios Acre e Xapuri e continuar comemorando o dia do meio ambiente em sua totalidade.

Se pensarmos que há menos de um século passavam embarcações de mais de 100 toneladas, carregadas de materiais advindos de outros estados - e países - para aplacar o consumismo da cidade rica em ouro negro, nos tempos áureos da Princesinha do Acre.

Pena que esse mesmo consumismo, típico do capitalismo moderno caracterizado na região por meio da exploração vegetal em todas as épocas, resultou, dentre as inúmeras devastações ambientais, com o desaparecimento das águas dos famosos Rios Acre e Xapuri.

A destruição da vegetação das margens das nascentes dos rios garantem sua vazante cada vez mais intensa, quase secando totalmente em épocas de verão intenso, deixando claro que mais cedo ou mais tarde, como previam nossos avós, vão secar completamente.

Vale ressaltar que o Rio Xapuri, em especial, com suas águas mais claras e em temperatura mais baixa que a do Rio Acre, é importante para a história do município pois seu nome é proveniente da tribo Chapurys, que habitavam às margens desse Rio – Xapuri significa “Rio antes” e deu nome à cidade, ao rio e ao Museu.

Quando as pessoas vinham para o município diziam que estavam vindo para a “cidade do Rio Xapury”, com o passar dos anos falavam que vinham para a “cidade do Xapury”, até todos se acostumarem com simplesmente ‘Xapuri’.

Reverter idéias retrógradas de devastação em favor do desmedido progresso urbano se faz necessário nos dias atuais, onde uma nova consciência ambiental – justamente como era idealizado por Chico Mendes – se converte em ações simples de práticas cotidianas diferenciadas mas revolucionárias.

Feliz Dia do Meio Ambiente pra você também!


Fotos:

*1 - Rio Acre em 1906 - Capa do livro 'Madeira que cupim não rói', de autoria de Ana Lúcia Costa;

*2 - Rio Acre em junho de 2010 - Por Clenes Alves.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mostra ‘A Estética do Futebol e Outras imagens’ no Museu do Xapury – ainda dá tempo de conferir!

Quem visitou o Museu do Xapury nos últimos dias se deparou com a exposição ‘A Estética do Futebol e Outras Imagens’ no hall da instituição. As obras são do famoso artista brasileiro Rubens Gerchman, já falecido.

A mostra apresenta obras em serigrafia que imortalizam os heróis da paixão nacional – futebol – tornando-os verdadeiros mitos humanos.

A beleza das telas – com destaque especial ao eterno craque Garrincha – se confunde com as ‘Outras imagens’ que povoavam a mente brilhante de Gerchman.

O programa da exposição, um folheto rebuscado com biografia do artista, suas principais obras e depoimentos de famosos falando de Rubens Gerchman, pode ser adquirido gratuitamente no Museu e se constitui como verdadeiro objeto de coleção artística.

A mostra faz parte do projeto Arte Sesc e pode ser conferida até o dia 18 de junho, com entrada franca, das 8 às 18 horas. Agendamento de visitas podem ser feitos pelo telefone: (68) 3542-3054 com Caticilene ou Mariana.

Não deixe de conferir pois a mostra de Gerchman se constitui como oportunidade ímpar na agenda cultural da Princesinha do Acre.

O Museu do Xapury está localizado no endereço:
Rua Cel. Brandão, nº 156 – Centro
Xapuri – Acre.

Foto: A guia Mariana Mathias convidando à exposição - por Clenes Alves.